sexta-feira, 14 de setembro de 2007

2007 - CENTENÁRIO DE MIGUEL TORGA

Nasceu em São Martinho de Anta, uma aldeia serrana de Trás-os-Montes, proveniente de uma família de condições humildes. "Pobre pássaro que nasce em ruim ninho", diria o avô à sua nascença.
Mas, segundo escreve Fernão de Magalhães Gonçalves, estudioso da sua obra, este ser "É uma Força natural, indomada, selvagem". Essa força leva-o a falar (escrever) da sua terra e de si, como irmão de urzes e fraguedos, numa linguagem indomável, de fidelidade às origens ancestrais, mas que o tornará também universal e intemporal, segundo António Cabral.
Muito galardoado e estudado, Miguel Torga continua a ser um dos escritores mais conhecidos.
E 2007 é o ano de todas as homenagens.
A criança, nascida Adolfo, "regou o milhão" ou segurou o candeeiro de noite para que o pai o fizesse , aprendeu a conduzir a água e aa distribuí-la pelos regos, malhou o centeio e o trigo, viu crescer o pão, pisou o vinho. Em Novembro, trspassado pela geada e pela nortada, debaixo de cargas de chuva, integrava o rancho que todas as manhãs apanhava castanhas de terça, no souto do mercador.
Na adolescência, no Brasil, foi vaqueiro, apanhador de café, laçador de cavalos e caçador de cobras.
De regresso a Portugal, chega a Coimbra em 1924 onde, em pouco tempo, na sua sentida fome de aprender, faz o curso geral dos liceus e 6º e 7º anos do curso complementar. Adolfo Correia Rocha licencia-se em medicina, escolhe a especialidade de otorrinolaringologista e fixa-se em Coimbra.
Convive com grupos intelectuais, escreve e escolhe para si o pseudónimo de Miguel Torga, nome que lhe ficará colado, como uma segunda pele, pelo qual conhecemos a sua obra literária.
Procura captar para a sua obra de prosador, poeta, dramaturgo, o fundamental da experiência de outro ser humano e, também, a sua própria experiência de vida, são transfigurados em actos artísticos pelo seu intenso impulso criador.
Torga é uma raíz encorporada e rija, nascida livre, nas serranias. Miguel Torga afirma-se sempre como homem e intelectual livre, facto que, inevitavelmente, naquele tempo, o levará a ser encerrado no Aljube.
Mas asas da imaginação não se prendem com grades.
Vasta e variada é a obra que nos legou apesar de alguns dos seus livros terem sido apreendidos pela "censura", designadamente o "Diário VII" e os "Contos da Montanha", livro este que passaá a editar-se unicamente até 1969.
Também sua mulher, que fora nomeada professora da Faculdade de Letras de Lisboa em 1945, é expulsa desta instituição por ter feito uma chamada especial de exames para alguns alunos grevistas, entre os quais se contavam Urbano Tavares Rodrigues e David Mourão Ferreira.
Em Outubro de 1945, numa entrevista ao "Diário de Lisboa", Miguel Torga declara "os artistas não constituem uma classe. São livres e mágicos servidores de quem tem a verdade e a história pelo seu lado. Ora a verdade e a história estão, como sempre estiveram, do lado do povo."
Ler, reler Miguel Torga, é a emoção do reencontro da obra artística na Verdade, na História, no sentido cósmico e no Telúrico.
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Nota: Reflexão, com intertexto, depois ler, de Fernão de Magalhães Gonçalves, o seu livro de ensaio "Ser e Ler Miguel Torga".

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

SUCESSO DE EXPOSIÇÃO DE PINTURA NOS E.U.A.

Terminou com êxito , nos Estados Unidos , a itinerância da exposição de Pintura de Balbina Mendes " Margens Douro , Nascente Foz " , que durante quase um ano e meio percorreu cidades de Espanha e Portugal , divulgando a beleza , os valores e as tradições dessa região norte da Península Ibérica.
As dezenas de óleos da pintora transmontana estiveram patentes ao público no amplo salão principal da Biblioteca Pública de Newark, a convite da comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal , com os apoios da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e da TAP.
A exposição teve numerosos visitantes de Nova Iorque e de cidades na periferia da grande metrópole americana , que designadamente apreciaram a ligação permanente que a exposição faz com textos de poetas e prosadores espanhóis e portugueses.Relevo especial merecem as visitas de alunos de universidades dos estados de Nova Iorque e New Jersey, acompanhados por professores , nomeadamente alunos de Português , por iniciativa da leitora do Instituto Camões em Nova Iorque , dra. Mónica Pereira.
No decorrer das celebrações do 10 de Junho em Newark, Balbina Mendes foi uma das individualidades distinguidas com uma homenagem que abrangeu algumas figuras públicas portuguesas e americanas.
Alberto Castro

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

LANÇADA A "HISTÓRIA DA MISERICÓRDIA DE CHAVES"



A vida da actividade assistencial de uma instituição secular

A Santa Casa da Misericórdia de Chaves conta, a partir de agora, com a edição do livro “História da Misericórdia de Chaves”, lançado recentemente. O novo “veículo” de comunicação dedicado à História da sua fundação, desde os primeiros passos datados do século XVIII até aos dias de hoje, representa um dos poucos exemplares no país, a dar a conhecer a vida de uma instituição secular.

São 652 páginas com histórias, fotos, referências ao volume arquivístico da Instituição, registos descritivos do século XVIII do Hospital da Misericórdia, no campo da saúde, passando pela área alimentar, o conceito assistencial de vida, os reflexos das monarquias e repúblicas na vida das misericórdias e todas as mudanças sociais subjacentes.

De acordo com a autora, o livro retrata “não tudo, porque ainda ficou muito por dizer, mas muitos dos seus momentos áureos ou de tormenta ao longo dos quase quinhentos anos de vida da Instituição” e de todos os intervenientes que ajudaram a melhor servir o próximo.

Uma viagem “apaixonante” iniciada há alguns anos, cujo projecto da responsabilidade de Maria Isabel Viçoso ganha agora rosto. O livro onde estão historiadas e documentadas páginas da vida de Chaves pretende “dar corpo a um trabalho que evidenciasse a interessante e polifacetada vida da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, dotada de um espírito que sempre procurou proporcionar cuidados assistenciais à sociedade mais carenciada, adaptando-se continuamente à filantropia dos tempos, às circunstâncias e aos novos problemas”, salientou a autora.


Novas valências e equipamentos ganharam vida

A obra de Maria Isabel Viçoso, membro da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, desde 2000, responsável pelo departamento de Património e Cultura pretende “abrir as portas” a um passado da Instituição que ajuda a compreender como ganharam vida outras valências e equipamentos, cada um com a sua história, nomeadamente: a Igreja, o Hospital, a capela do Calvário, a Escola de Artes e Ofícios, a Casa de Anciãos, as valências de Vidago, Vilar de Nantes, o Centro Educacional de Casas dos Montes, a Santa Casa da Misericórdia de Boticas, filha da Santa Casa da Misericórdia de Chaves dando a conhecer à população o “mundo da actividade assistencial no campo da solidariedade social”.

Um facto que mereceu o reconhecimento das pessoas que a acompanharam no passado dia 12 enchendo o auditório do Hotel Forte de São Francisco, em Chaves, aquando da sua apresentação e que contou com o apoio da Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT) como “associação que tem sabido apoiar, dinamizar e desenvolver os valores culturais e tradicionais da região”.

O provedor da Misericórdia de Chaves reconheceu na autora “a vontade pessoal, o rigor histórico, a persistência, o trabalho, o amor à causa da solidariedade e da cultura e acima de tudo o espírito de servir uma causa”, lembrando o papel que a Misericórdia de Chaves detém no contexto nacional e a relevância que assume na sociedade civil, pelo “espírito solidário e a tenacidade” de todas as anteriores mesas administrativas e a luta que ainda hoje é travada em “desafiar preconceitos, enfrentar os desafios das mudanças, inventar novas respostas socais, ser singular nos princípios e inovador na subsidiariedade e na solidariedade”.

A acção desenvolvida nos últimos tempos recorda a efectiva participação da Misericórdia de Chaves na região em que está inserida, estendendo ao longo do tempo o seu raio de actuação, “dar cobertura na rede social do concelho de Chaves, dar corpo aos desafios da formação ao nível inter médio e superior através da participação e criação da Escola Profissional e da Escola Superior de Enfermagem, dar expressão efectiva aos encontros de idosos”. Nuno Rodrigues não deixou de referir ainda a capacidade que instituição possui como “a maior prestadora de serviços sociais do distrito de Vila Real e uma das cinco maiores do norte do país sendo igualmente a maior empregadora privada de Trás-os-Montes e Alto Douro na assistência ao maior número de famílias”.


“Faz parte integrante da cidade, do concelho e da região”

Mas a vida das misericórdias é algo que “fascina” e isto mesmo é o que pretende demonstrar este livro que “se tornará incontornável na história do nosso município”, salientou o presidente do Município de Chaves, João Batista, referindo a propósito que a História da Misericórdia de Chaves é uma parte integrante da História da cidade, do concelho e da região”, pelo enriquecimento que ela representa e acrescenta “à identidade e à dignificação do nosso passado, a transportar para o presente a nossa vontade e capacidade de participação na realização daquilo que queremos”.

Dirigindo-se aos leitores, o professor catedrático da Universidade do Minho, António Manuel de Sousa Fernandes, a quem coube a apresentação da obra alertou para uma sugestão de leitura, dada a “inúmera informação que recolhe, em vez de ser lido como romance ou um livro de História deve ser sobretudo mantido como uma espécie de enciclopédia, onde podem ser feitas pesquisas por datas ou temáticas”.

O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), realçou o contributo e a importância desta obra para a “divulgação do trabalho realizado pelas instituições de solidariedade social”.

Tem sido preocupação da direcção da Misericórdia de Chaves a preservação e o restauro de todo o seu património histórico e cultural. Como forma de dar a conhecê-lo à comunidade esteve patente na antecâmara do auditório, uma exposição que reuniu um conjunto de peças museológicas que fazem parte do acervo da Instituição.

Chaves foi uma das primeiras vilas a aceitar o convite da rainha D. Leonor, fundadora das Misericórdias, quando em 1516 estabelece o primeiro compromisso com a Confraria da Misericórdia de Lisboa, cujo exemplar também fazia parte da mostra.

De referir que a “História da Misericórdia de Chaves” vem juntar-se a outras publicações já editadas sobre a Misericórdia de Chaves. Entre algumas revistas existe a segunda edição do livro “Azulejos da Misericórdia” do Padre António Cerimónias, 1927, “Misericórdias do Distrito de Vila Real, Passado, Presente e Futuro”, 1998 e “Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas” do mesmo ano, dois livros editados através de um protocolo com o Arquivo Distrital de Vila Real e ainda “A Igreja da Misericórdia”, de Maria Isabel Viçoso, de 2001.

sábado, 8 de setembro de 2007

AS 7 MARAVILHAS... À MESA

Assistimos a 07 de Julho à proclamação das 7 novas Maravilhas do Mundo, e em simultâneo à nomeação das 7 Maravilhas de Portugal. Não quero entrar nos detalhes sobre a forma de encontrar os finalistas. Enfim estamos numa época de grandes avanços tecnológicos e esses mesmos podem perverter os sentidos dos votos. A organização era privada e os resultados têm o valor que cada um lhe quiser atribuir. Por alguma razão a UNESCO se afastou dessa classificação e também não quis comentar. Quero só lembrar o pedido feito aos brasileiros e decerto, pelas suas reacções, o Cristo do Corcovado lá ficou.
Quanto às maravilhas portuguesas apetece-me divagar um pouco mais. O Castelo de Guimarães, enquanto património nada se compara com o Castelo de Bragança. A votação, se calhar, teve mais a ver com a emoção do nascimento de Portugal. Um pequeno castelo como símbolo da Nação…! Depois o Castelo de Óbidos. Bem o Castelo é interessante, está lá instalada a primeira Pousada de um edifício histórico (desde 1950), mas para mim o interessante é o conjunto de Óbidos dentro das muralhas. Com o seu casario e as Igrejas.
Em simultâneo um grupo hoteleiro e de restauração lançou, via net, um concurso para eleição das 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa de que faziam parte para votação pública as seguintes por ordem alfabética: Alheiras de Mirandela, Amêijoas à Bolhão Pato, Arroz de Cabidela, Arroz de Marisco, Bacalhau à Lagareiro, Cozido à Portuguesa, Cabrito Assado, Caldo Verde, Carne de Porco à Alentejana, Francesinhas, Leitão da Bairrada, Leite Creme, Migas, Ovos Moles de Aveiro, Pasteis de Bacalhau, Pastel de Nata, Polvo à Lagareiro, Presunto de Chaves, Queijo Serra da Estrela, Queijo da Ilha de São Jorge e Sardinhas Assadas. Apetece-me perguntar, tratando-se de Gastronomia, porque não estavam representados os Vinhos? Pelo menos o Vinho do Porto que seria mais um representante da nossa região. Já não querendo entrar na polémica, as alheiras porquê as de Mirandela? Evidentemente que nestas questões nem sempre é possível contemplar todas as opiniões ou vontades. Sobre as alheiras eu tenho uma posição bem definida, e sobre a qual já tenho escrito. Fico muito contente quando se escreve sobre alheiras independentemente da sua origem.
Bem, os apurados foram por número de votos: Cozido à Portuguesa, Pastel de Nata, Leitão da Bairrada, Queijo da Serra, Caldo Verde, Sardinhas Assadas e Carne de Porco à Alentejana.
Lá ficaram de fora as duas especialidades transmontanas!

Todas estas iniciativas, em Portugal, servem para ajudar a melhorar o nosso auto estima, mesmo que os critérios e os resultados não sejam inteiramente do nosso agrado. Ajudam-nos também a reflectir um pouco. Por isso, pelo menos, devemos apoiar todas estas iniciativas. E servem também para que não se escreva só sobre futebol, apesar de este ter surgido em duas oportunidades na cerimónia dia 7 de Julho.
A Escola Secundária Abade de Baçal, de Bragança, organizou uma votação para eleger as 7 Maravilhas de Trás-os-Montes. Ganharam: Domus Municipalis de Bragança. Castelo de Bragança, Santuário do Santo Cristo de Outeiro, Palácio dos Távoras de Mirandela, Igreja dos Clérigos de Vila Real, Palácio de Mateus de Vila Real e Barragem do Picote. A mesma escola promete para Outubro a eleição dos Sete Mamarrachos. Esperemos com atenção, e alguma ansiedade, para possivelmente assistirmos aos desmandos do crescimento urbano não controlado, ou de mau gosto.

Mas o que eu gostaria mesmo era de lançar uma eleição das 7 Maravilhas de Trás-os-Montes e Alto Douro à Mesa. Terá este Jornal ou esta Casa, em associação com as outras Casas congéneres, condições para organizar uma eleição destas? Onde estão os voluntários?
Naturalmente que estou disponível. Aguardo as vossas disponibilidades.
E parece-me muito útil fazer um exercício deste tipo pois acaba de ser publicado um livro de uma colecção de 21, com o título pomposo de “Guia Gastronómico de Portugal” e cujo volume 13 é dedicado a Trás-os-Montes e editado pela Ciro Ediciones, SA de Barcelona. Por acaso esta editora já tem um livro de receitas de cozinha de Portugal que tive a oportunidade de criticar pela ausência de rigor e falta de representatividade. Até parece um livro feiro à pressa e sem consultar, em Portugal, que sabe. Relembro o que escrevi no Jornal da CTMAD de Junho/Julho de 2006.
Ora o livro agora apresentado de “Trás-os-Montes”, que contou com a colaboração de 3 cozinheiros que eu muito prezo, não ilustra a nossa Região em termos de receituário.
O texto introdutório contém algumas imprecisões. A começar por definir a região. Quanto ao receituário apenas apresento alguns exemplos pela negativa: melão com presunto (pela vulgaridade e pela ausência da qualidade ou origem do presunto), sopa provinciana (igual em todo o País), patê do Chefe Eliseu (trata-se de um livro que identifica uma região, a receita é boa mas não serve os objectivos), bacalhau à transmontana (coberto com molho Bechamel???), rodovalho no forno (de que sítio, sem ser a costa, isto é especialidade?), depois 2 postas (porquê diferentes e uma delas acompanhada por rosti?), na introdução ainda nos referem o fricassé de pato com canela! No capítulo das sobremesas: charlotte de morangos, delícia de natas, folhado de framboesas, bolo de morango e tarte de laranja (e é apresentada torta). Esqueceram-se das maravilhas de comida da verdadeira tradição transmontana.
Um capítulo excelente de cozinha de autor, com referências e produtos transmontanos, do Chefe Manuel Gonçalves.
Defendamos aquilo que ainda é nosso.

BOM APETITE!

© Virgílio Gomes

terça-feira, 4 de setembro de 2007

COMEMORAÇÕES DO 102º ANIVERSÁRIO DA CTMAD

PROGRAMA


Dia 21 de Setembro (Sexta-Feira)
Local : Sede da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro

19:00 - “Ilustres Judeus Transmontanos” – Palestra pelo Prof. Adriano Rodrigues.
20:00 - Jantar regional.


Dia 22 de Setembro (Sábado)
Local : Salão de Festas do Vale Fundão (Junta de Freguesia de Marvila)
Azinhaga do Vale Fundão (junto ao cruzamento do prolongamento da Av. dos Estados Unidos da América com a Av. Infante D. Henrique)
Autocarros: 755 (nas proximidades: 82, 718 e 794)

18:30 - Concentração (recepção de associados e amigos, regularização de quotas, pagamento inscrição para o jantar, aquisição de livros e lembranças, etc.).
19:00 - Início da sessão comemorativa. Saudação de boas vindas.
19:10 - Lançamento da Revista do Centenário da CTMAD. Apresentação.
19:30 - Agraciamento aos sócios mais antigos. Distribuição de diplomas e de lembranças.
20:00 - Convívio dos participantes com distribuição de aperitivos.
20:30 - Jantar de confraternização.
22.00 - Sessão de fados pelo Grupo da Associação Cultural do Fado (ACOFA).
24:00 - Corte de bolo de aniversário e distribuição de champanhe.
Grupo “Maranus” - Música para dançar.
01:00 - Encerramento da festa.


Dia 23 de Setembro (Domingo)
Local : Igreja de S. Maximiliano Kolbe

10:30 - Arruada em Chelas pelo Grupo de Bombos de Mondrões.
11:00 - Missa evocativa dos sócios falecidos.
Celebração a cargo do Rev.º P.e João Parente, com a participação da Tuna Musical de Bisalhães (Vila Real) e o Coro Vocal da Paróquia de Mondrões (Vila Real).
14:30 - Arruada no Campo Pequeno pelo Grupo de Bombos de Mondrões.


Nota Importante:

A participação em ambos os jantares (que serão servidos à mesa, em lugares sentados) exige a prévia inscrição na Sede da CTMAD até à antevéspera dos dias assinalados.
O preço das refeições é de 15 €.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

À MEMÓRIA DE CONSTANTINO, TRASMONTANO E REI DOS FLORISTAS ! - 3ª Parte*


No dia seguinte apresentou-se o bom Constantino no palácio real e, mais uma vez recebido pela Rainha que, sem rodeios, exclamou:
Sr. Constantino, ficaremos com as duas coroas, porque as vossas flores são tal qual as naturais. Uma única diferença as separa, as naturais murcham, as vossas não. Magnifico, magnifico!

Ante tão prestigiante escolha os empregados da loja ficaram, mais um vez encantados e, sem olhar a meios, depressa puseram a circular a notícia que, para admiração dos parisienses e estrangeiros, foi primeira página dos principais jornais diários.

O Sr. Isidore Culot, no dia seguinte, emocionado, entra a correr na oficina e, de olhos a saltarem-lhe da cara, atira para cima da mesa de Constantino um molho de jornais e exclama:
Mestre Constantino, veja, veja! Toda a imprensa diária traz, em grandes parangonas, a notícia e, mais, reproduz as palavras da Rainha acerca das flores que o mestre faz, dizem até que a fama do mestre já chegou à América e que os americanos ricos querem comprar toda a produção.

Constantino, ante tão promissora notícia, decide de imediato dar mais um passo e, sem se emocionar, responde-lhe:
- Sr. Culot, apesar de termos já trinta empregados, esta loja não responde ás necessidades, é preciso encontrar outro espaço que garanta melhores condições de trabalho e sobretudo que tenha boas montras e tornem as nossas flores mais visíveis. Vi uma que me satisfaz na Rua de Santo Agostinho, há dinheiro, deve-se investir. É preciso remodelar e fazer novas flores
- Mas, mestre, como responderão os empregados e os fornecedores, o que hoje é bom amanhã poderá não o ser, não será melhor esperar mais um pouco?
- Não Sr. Culot, os empregados responderão bem, aos fornecedores paga-se o que se lhe deve e partiremos para uma nova etapa. Mas, o Sr. Culot parece não acreditar.
 - Olhe, vem a propósito, ando há um bom par de dias para lhe colocar uma questão, propor-lhe a compra da sua quota.
 - Repare o Sr. não vem aqui, de flores nada percebe, também já tem alguma idade, proponho-lhe ficar com a sua quota, dou-lhe os lucros apurados mais o dobro do capital que investiu. Que me diz?
- Mas, mestre Constantino, agora que o negócio está bom é que o Sr. quer pôr-me na rua? Haja moral, que ingratidão!
- Não Sr. Culot, não é o dinheiro, o Sr. não me conhece, nem conhece os artistas, não me compreende, jamais perdoaria a mim mesmo se esta minha opção fosse desencadeada por dinheiro. Repare, eu sou um artista como muitas provas já dei, e, felizmente, bem sucedidas. Preciso de liberdade para me inspirar e criar, preciso de olhar, ver, observar, fazer experiências, quero viajar, conhecer novas tintas, novos perfumes, novas essências e para isso não posso ter limitações. Preciso de independência Sr. Culot e acredite que, suceda o que suceder, estarei eternamente grato ao seu gesto e à sua ajuda.
E, se fizesse todo este meu trabalho e criação, mesmo com o seu consentimento, estaria sempre a pensar que estava a gastar o seu dinheiro. Ora, pelas minhas aparentes loucuras e criativas extravagancias só eu posso responder. Faço-lhe esta proposta com grande respeito e consideração por si! Pense bem Sr. Culot, não me julgue mal!
- Além do mais, vem aí a exposição de Paris, todos os artistas vão estar presentes e o mundo inteiro vai estar de olhos postos aqui. E, com tempo, gostava de ir em busca de novas experiências, novas tonalidades, outra policromia, tenho de surpreender tudo e todos, quero criar, quero ter a admiração de todos, quero projectar o meu ser, o meu País, quero a glória, percebe Sr. Culot?
O Sr. Culot, impressionado com a velocidade da resposta assim como a tranquilidade e encanto com a pose que Constantino assumia, ponderando um pouco, e dizendo que sim, justificou-se:
- Mestre, estou com setenta anos, estou bem de vida, de flores nada percebo e apostei em si por que via que, na casa do Sr. Flamet, andava silencioso e triste. Eu sabia que o senhor era um artista e não gosto de ver os artistas tristes, como que atrofiados. A arte é sublime, divina, deve ser apoiada! Olhe, boa sorte, prepare a escritura e diga-me qual o notário e a hora a que lá devo estar.

Constantino, feliz, com os olhos a faiscar e saltarem-lhe das órbitas, de imediato disparou para o Sr. Lequerel!
- Sr. Lequerel trate de arranjar um notário que amanhã, ou no dia seguinte, faça a escritura de aquisição da posição do Sr. Culot, faça as contas dos lucros do ano, mais o dobro do valor da quota, preencha um cheque no valor dessas importâncias a favor do Sr. Culot.

E foi assim que, oito dias depois, de armas e bagagens, o nosso bom Constantino com os seus trinta empregados se instalou no n.º 37 da Rua de St. Agustin onde, como veremos, no número seguinte, novos êxitos alcançou.
Instalados no n.º 37 da Rua de St. Agustin a azáfama do trabalho não parava pois, pouco antes, ainda na anterior loja, Constantino havia decidido concorrer à Exposição de Paris que nesse ano se realizou nos Campos Elíseos.
Constantino, mais uma vez, surpreendeu tudo e todos, o seu stand foi dos mais visitados e as suas obras foram enaltecidas, com primeiras páginas de jornais, tal era a beleza, encanto e perfume que transmitiu aos seus arranjos florais.
A excepcional qualidade do seu trabalho foi reconhecida por todos e foi assim que, no último dia do certame, viu o seu nome ser pronunciado pelo Rei que o declarou vencedor do certame em arte floral.
Com este prémio os aplausos foram mais que muitos e até o Sr. Flamet, esquecendo a azedume da saída, veio cumprimentar Constantino prestando-lhe sentido elogio.
Com este prémio o reconhecimento de Constantino foi geral, ultrapassou fronteiras, fez crescer o seu negócio cujas encomendas eram agora satisfeitas por 40 empregados.
Constantino, porém, não se deslumbrou e, acicatado pelo desejo de inovar e conhecer novos perfumes, decide uma viagem a Inglaterra e aos Pirinéus para estudar a flora e botânica destas regiões, que era rica. Confiada a loja aos seus empregados, sempre dirigidos pelo seu amigo Lequerel, Constantino embarcou para Inglaterra e regressou pelos Pirinéus na descida dos quais, em Tercis-les-Bains, sofreu uma queda quando, sentindo-se ainda rapaz e a lembrar-se da sua terra, subiu a um penhasco para apanhar uma flor que tinha um azul que nunca antes vira.
Nesta vila, reteve-o a doença uns tempos, e, a conselho dos naturais, descobre as águas termais que o ajudaram a recuperar das mazelas nas pernas e costelas e que mais tarde tanto o haviam de ajudar no alívio do seu reumatismo.

Regressado a Paris, carregado de novos perfumes e flores que descobrira nos Pirinéus, Constantino lança-se de novo na profissão pois as encomendas das casas reais, nobres, e burgueses ricos e poderosos não paravam, todos disputavam as flores de Mestre Constantin.
Como o negócio não parasse sentiu necessidade de arranjar outras instalações pois as da Rua de St. Agustin já se mostravam reduzidas para albergar os 40 trabalhadores.
E é assim que por volta de 1846 se instala no 1º e 2º andares do n.º 7 da Rua D'Antin, nas proximidades da Ópera de Paris, por onde passava a melhor clientela da cidade.
Pela primeira vez sentiu Constantino o que era ter uma casa/habitação próprias pois, vivendo no amplo 2º andar, sentia o prazer de descer ao primeiro, de receber os prestigiados clientes no salão que a oficina dispunha e de ver todos os seus empregados a cumprir as ordens que lhes dava e sobretudo de ver o seu projecto empresarial e artístico realizado.
Este gozo, porém, havia de durar pouco pois, com a revolução de 1848, Paris tornou-se uma cidade de grandes dificuldades e miséria e durante dois anos foi esperar melhores dias sem que, contudo, tivesse de despedir os seus empregados que, por causa das barricadas e fome, na sua própria Casa e loja os alojou.
E só a abnegação de Constantino salvaram a sua empresa pois, não obstante Paris não lhe proporcionar negócios, a sua fama pelas casas reais da Bélgica, Alemanha e outras era grande e com elas conseguiu muitos negócios e recuperar o movimento comercial antigo.
Em 1850, serenada a Revolução e implantada a República, já o rei dos Floristas gozava de novo as delícias do negócio e é, então que, para calar a mágoa da saudade e aquela velha angustia que lhe rasgava o peito decide vir a Portugal.
Anunciadas e distribuídas as ordens sobre o giro da casa, Constantino dá ordens ao Sr. Lequerel para anunciar a viagem aos clientes e divulgar o facto nos jornais de Paris e Lisboa.
E é assim que Lisboa recebe o Rei dos Floristas.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

NORDESTE


Discurso proferido em 12 de Maio 2006 no Forum Lisboa
Em primeiro lugar devo agradecer, muito reconhecido, o facto de a Casa de Trás-os-Montes ter organizado esta sessão, também o de tantas pessoas terem decidido estar presentes, e finalmente que o Doutor Fernando do Amaral, pela sua excessiva bondade que o caracteriza, e trazendo consigo o prestígio de uma tão longa e fecunda carreira, ao serviço do País e da justiça, se tenha disposto a discursar numa reunião de trasmontanos em que sobretudo me sinto na função de pretexto, sem outro mérito justificativo. De mim posso também dizer que "menino e moço" me trouxeram, a minha mãe Leopoldina e o meu pai António, ambos solidamente trasmontanos, para a cidade grande, que era um dos destinos da nossa constante corrente migratória de gente pobre, sempre cristãmente modesta mas nunca humilde, praticando que a igualdade vem da maneira de viver e não da maneira como se ganha honestamente a vida, porque todos esses trabalhos são igualmente dignos.

Que o meu pai, que se reformou subchefe ajudante da Polícia de Segurança Pública do Porto de Lisboa, e a minha mãe que trabalhava arduamente na máquina de costura que está em casa do meu filho mais velho, tenham decidido e conseguido, a duros mas alegres sacrifícios, que a minha irmã Olívia fosse médica, e eu me formasse em direito, ambos na Universidade de Lisboa, torna fácil entender que sinta, no meu íntimo, que esta homenagem trasmontana lhes pertença, também porque nos educaram no amor à terra de origem, às suas tradições, às suas virtudes e costumes.

Na minha vida sempre me encontrei ligado a trasmontanos e, para falar apenas dos que já morreram, não posso deixar de recordar o Almirante Sarmento Rodrigues, tão decisivo que foi nas minhas escolhas de serviço à comunidade, do seu e meu amigo Dr. Joaquim Trigo de Negreiros, do Dr. Águedo de Oliveira, todos da geração da qual foi celebrado o centenário do nascimento, em que tive a honra de ser orador, e membros de um grupo mais alargado de trasmontanos que estavam juntos no governo no meu tempo de jovem licenciado, e que por isso conhecíamos como A sereníssima Casa de Bragança.

Mas hoje, quando, no entardecer da vida, recordo as gentes e as terras por onde passei, o que mais seguramente me vem à lembrança é o avô Valentim sentado na pedra que na aldeia de Grijó de Val-Bem-Feito lhe servia de banco para ler o jornal, a Maria Boleira que me tinha sempre reservada uma bôla de azeite, o Manuel Fiscal que se despedia desejando "a saúde ou dinheiro, que Deus não pode dar tudo", a minha tia Maria que me ensinou a ler pela Cartilha de João de Deus, o moínho onde trabalhou o meu avô paterno que não conheci, o arroz doce e as alheiras da minha avó Olívia, o direito abusivo que eu tinha de emparceirar com o meu primo Alexandre para carregar o andor do Menino Jesus na festa do Senhor do Calvário, no primeiro domingo de cada Setembro.

Nos longos caminhos do mundo por onde andei, na África do nosso findo Império, no Brasil, nas duas costas dos EUA, no Oriente, sempre encontrei o mesmo fenómeno da solidariedade dos trasmontanos emigrados, entre si e logo de braços abertos para os que chegam. Na década de sessenta do século passado, sendo então Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, pareceu-me necessário organizar a solidariedade das comunidades de portugueses residentes no estrangeiro, com as comunidades de descendentes de portugueses, e ainda com as comunidades filiadas na cultura portuguesa porque por ali tinham passado ou a soberania ou a pregação portuguesas.

Fiz uma longa viagem ao redor da terra para organizar o I Congresso dessas Comunidades em Lisboa-Guimarães-Coimbra (1964), e o II Congresso a bordo do Príncipe Perfeito (1966), navegando no Índico na rota de Vasco da Gama ao longo da costa de Moçambique, e sempre, espontaneamente, os trasmontanos que existissem se mobilizaram para que o projecto se efectivasse.

Foi então que pude viver a força de um portuguesismo que se mantinha, variado na forma mas com igual substância, na diversidade de meios e de circunstâncias em que se encontravam: percebi que existia uma realidade a que chamei A Nação Peregrina em terra alheia, e que os trasmontanos formaram sempre um elo dessa rede que se estendeu a partir da interioridade nordestina por todos os caminhos que abrimos pelo mundo. O conceito de Reino Maravilhoso, que devemos a Torga, tem certamente origem na beleza da paisagem que muda harmonicamente com as estações, e depois com a amorosidade que para sempre envolve a relação da terra com os seus filhos, mas os custos da interioridade foram enormes ao longo dos séculos, nesta região que foi sempre do Reino político português, sem guerras de conquista. Os progressos evidentes das últimas décadas europeias não eliminaram todos os custos, mas serão melhor avaliados em face da memória de carências passadas, e da submissão à natureza das coisas. Lembrarei a Colheita do Senhor, palavras com que se aliviava a dor das mães que em cada ano sofriam a perda dos meninos de anjos sem pecado. Ou as razias causadas pela tuberculose, que por quatro vezes, só na nossa família, levou o avô Valentim a percorrer o caminho do cemitério para enterrar os filhos.

A geração que assumiu a gestão local, neste período europeu em que nos encontramos, deu passos largos na melhoria da qualidade de vida, a governar a parcela nacional mais próxima dos centros da União, mas ainda a mais distante em termos de acessibilidade. Geração muito apoiada pela rede do ensino, em que destacaria o Politécnico de Bragança e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Mas a sofrer agora, como toda a interioridade, o despovoamento, a quebra da natalidade, a debilidade do crescimento económico que não oferece condição suficiente de fixação dos diplomados, com o agravamento que deriva da crise financeira do Estado que obriga  a meditar, cada vez que a invocada racionalidade gestora o leva a retirar presença e serviços, se não é a batalha da interioridade que perde forças e espaço de intervenção.

O Reino Maravilhoso vai exigir a mobilização geral para que estes efeitos colaterais de uma mudança global das circunstâncias em que o país se insere sem escolha não atinja as raízes, não afecte o alicerce que é a pátria pequena dos que são obrigados a partir, dos que ficam, e dos que serão os herdeiros dos novos erros e acertos.

Ao longo dos tempos os portugueses foram emigrantes para todas as lonjuras da sua terra natal, por vezes, como nós, apenas dentro do próprio país, outras porque a pobreza da vida incita a procurar diferentes promessas de abundância, também porque o Estado, deitado a longe, para a gesta das descobertas e segurança e povoamento das conquistas, organizava a transferência nem sempre consentida. O fim do império, em 1974, fez convergir toda a diáspora, sem diferença das causas e razões da partida, para a condição hoje de Nação peregrina em terra alheia.

O regresso foi de regra um projecto guardado na memória dos afectos, mas, com frequência, os filhos nascidos nas terras de acolhimento foram a âncora que fixou para sempre os pais, e assim foram crescendo, nas cinco partes do mundo, as comunidades de descendentes de portugueses, que em geral não ignoram as origens, embora alterando a imagem que passa de geração em geração. É assim nas duas costas dos EUA, é sobretudo assim no Brasil, também assim em vários lugares do Oriente.

O que tudo faz nascer duas distâncias do emigrante em relação à origem. Primeiro a dolorosa distância física que não deixa esquecer os amigos de infância, o arvoredo e o cheiro dos campos, nem permite voltar a puxar a corda do sino, andar na procissão, comer o caldo de couves temperado com unto, mais as amoras que tingem as mãos, e o pão de centeio ou de trigo.

Mas depois cresce para muitos a distância da memória, isto é, a memória que se distancia no tempo e vai apenas guardando registos selectivos, piedosa no embelezar das lembranças que não conservam nem as dores da infância, nem o envelhecer penoso dos pais e avós, sacrificados ou à decisão de ficar ou à impossibilidade de partir.

Dos vários longes, ou físicos ou das memórias, à medida que os horizontes se alargam, e que as novas dependências e exigências se tornam mais densas, o sentimento das raízes parece vir socorrer a defesa da identidade originária, e lembrar a pátria pequena que é a terra de origem, o município que parecia tão vasto, as artes populares que primeiro educaram os gostos, os saberes ancestrais para lidar com a saúde e a comida, para animar os festejos, para fiar e tecer, para dar formas à madeira e à pedra, para colher o mel ou fabricar os enchidos, e afinar os cuidados com manter os velhos muros, as antigas casas, as acolhedoras esquinas, para preservar ou recriar o ambiente que acolha a mudança sem perder as origens, que reinvente um futuro com história, e abra os braços a todas as memórias, as memórias dos que partiram e voltam, dos que não voltam mas não esquecem, dos que ficaram e garantiram a identidade, e com ela a esperança, a ternura, e o consolo dos reencontros. A Nação peregrina em terra alheia deve a estas devoções dos que ficaram, governando, defendendo e revigorando as comunidades locais, e afeiçoando a sua circunstância, que a identidade de todos e de cada um não se dilua no turbilhão do globalismo que nos visita para ficar.

E nós já estamos no fim da nossa responsabilidade. Aquilo  em que nos resta meditar é, se pela nossa intervenção, algum sal salgou a terra e se alguma terra ficou salgada.
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