terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Editorial de Dezembro 2007

Caros amigos e Associados!

Cá estamos nós para mais um Natal e umas boas e merecidas férias do solstício de Inverno sem esquecer as tradicionais prendas que na chaminé e no sapatinho nos esperam a fazer de nós, pelo menos uma vez no ano, a criança que cada um transporta neste ciclo do ser que a existência nos consente e por vezes premeia.

Este ano, mais uma vez renovámos a tradição, fizemos a CEIA DE NATAL, assinalámos a solidariedade que a civilidade nos habituou e cumprimos os antigos hábitos das gentes de aquém e de além Marão o que vale dizer que honrámos os nossos antepassados.

Neste Natal, que é da minha despedida da Direcção da Casa, há que relevar as coisas boas que nestes quase sete anos se fizeram, e muitas foram que as não vamos aqui enumerar, há que salientar os bons contributos que alguns poucos associados deram à Casa, especialmente aqueles mais humildes que abnegadamente estiveram sempre dispostos a colaborar com Casa sem nada pedir ou esperar e há também que lembrar os contratempos que um ou outro associado provocou, mais por mal de ignorância ou perturbação afectiva à CTMAD que de intenção de mal fazer.

A todos, mesmo àqueles que não gostaram do nosso trabalho, o nosso muito obrigado pois foi com todos que a Casa se levantou, readquiriu nova imagem, reforçou o seu conhecido prestígio regionalista e notoriedade cultural e levantou alto o nome da Região e população que representa.

E, se conquistámos estes patamares, há que não descer deles e a nova e divulgada lista de candidatos à Direcção da Casa, assim como os restantes membros dos de mais órgãos sociais, são, quanto a nós, a garantia de que esse desiderato vai perdurar e um dia, que breve há-de ser, haveremos de vê-lo premiado com a tão ambicionada Nova Sede.

E, sem esquecer que se aproximam as eleições, muito importaria que uma ou mais listas concorressem, a par da indicada pela Direcção, que seria, por um lado, um sinal de forte vivência da e na CTMAD, por outro, seria uma prova de amor e garantia de eternidade.

Vamos amigos e associados, formem grupos, alinhem ideias, façam uma candidatura e concorram aos órgãos sociais da CTMAD!

Despeço-me com um abraço e um até sempre porque, saindo da Direcção, não saio da Casa e a ela estarei gostosa e inelutavelmente ligado e dar-lhe-ei os contributos que puder.

Assembleia Geral Ordinária 18 Janeiro 2008 (sexta-feira)

CONSULTA DE DOCUMENTAÇÃO

Tal como prescreve a alínea c) do n.º 2 do Art.º 7º dos Estatutos da CTMAD, constitui um direito exclusivo dos sócios efectivos no pleno gozo dos seus direitos associativos, examinar os livros, relatórios e contas e respectiva documentação, nos quinze dias que antecedem a Assembleia Geral convocada para a apreciação das contas.

Assim sendo e considerando, igualmente, as disposições adoptadas na Assembleia Geral realizada em 30 de Janeiro de 2007 segundo as quais se deveria dar publicidade a este assunto no nosso jornal, vimos por este meio convidar todos os associados a visitarem-nos, desde já, para consulta da referida documentação em ordem ao seu prévio e devido esclarecimento sobre tal matéria.


Lisboa, 11 de Dezembro de 2007


O Presidente da Direcção


Nuno Aires, Dr.

Nota informativa ácerca das contribuições das autarquias transmontanas e altodurienses

Os associados da CTMAD gostarão de saber a origem de alguns dos poucos proventos que, de uma forma ou de outra, vamos tentando obter.

Assim, esta notícia cinge-se, apenas, ao apoio monetário recebido das autarquias transmontanas e alto durienses ao longo deste ano de 2007 que agora finda e que se traduziu no seguinte:

a) Contribuições de autarquias auferindo a qualidade de “sócio extraordinário (Carrazeda de Ansiães, Sernancelhe e Vinhais)”...................................................750,00 €

b) Contribuições avulsas (Tabuaço e
Vila Nova de Foz Côa)................................500,00 €


Além destas específicas contribuições, o Município de Montalegre informou-nos que só poderia apoiar acções concretas a requerer, caso a caso, pela CTMAD e o de Santa Marta de Penaguião transmitiu-nos que apenas sustentaria eventuais actividades da CTMAD com ele relacionadas.

Aguardando ainda as respostas de Macedo de Cavaleiros e de Mirandela acerca de subsídios já prometidos mas ainda não concretizados, concluímos informando que todas as restantes 30 autarquias transmontanas e alto durienses não aquiesceram aos pedidos de apoio financeiro oportunamente formulados pela CTMAD.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Transmontanos em Santarém

Realizou-se a 27ª edição do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém onde Transmontanos e Alto Durienses marcaram presença. Presença que já vai sendo uma tradição.

Este Festival é, de facto, o maior evento, e o mais antigo, que se realiza em Portugal, vindo a registar nos últimos 4 anos uma viragem qualitativa, e corajosa, para apresentar as novas tendências da cozinha em Portugal.

Nos permanentes, com prestação diária, registamos a presença dos Restaurantes "O Costa" de Vila Real, "Comeres Barrosões" de Boticas e "Académico" de Bragança. Ainda a doçaria representada pela "Floramêndoa" de Torre de Moncorvo, os vinhos das Cooperativas de Alijó e de Peso da Régua, o Moscatel de Favaios, e os enchidos e outros produtos com o "D. Roberto" de Gimonde.

Devo confessar que o grande sucesso dos restaurantes foi a excelência das carnes Maronesa, Barrosã e Mirandesa. Depois de uma confecção que, por primária, lhe garante a melhor forma de ser apreciada, os clientes voltavam com facilidade e entusiasmo. Devo referir o interesse com que os grandes Chefes de Cozinha, que participavam no Congresso dos Profissionais de Cozinha, me manifestavam os parabéns pela carne que tiveram a oportunidade de degustar e comer. E muitos repetiram. Nada melhor que o simples para ser bom!

No almoço especial preparado pelas Equipas Olímpicas temos a registar o Chefe António Bóia, Chefe da Equipa Júnior e o seu irmão Manuel Bóia que integra a Equipa Sénior. Devo mencionar que esta refeição está a transformar-se num evento muito desejado e apreciado. Para o comprovar lembro apenas que em dois anos consecutivos foi a primeira refeição a esgotar-se na venda.

Ainda sobre o Congresso refiro que teve parte activa o Chefe Hélio Loureiro (de origens transmontanas pelo lado materno), no primeiro painel sobre "Cozinha e Televisão", seguindo-se o meu amigo Armando Fernandes com uma comunicação sobre "A Modernidade em Bartolomeu Scappi" e eu, Virgílio Gomes, com uma comunicação sobre "Ambientes culinários e Chefes no séc. XX". Não vou referir os participantes como congressistas para não termos uma lista exaustiva, mas apraz-me registar um número considerável de presenças.

No dia da Região de Turismo do Nordeste Transmontano, a sala estava cheio de transmontano, sendo aqui impossível referir-me a todos. A refeição esteve a cargo do Restaurante "O Geadas" de Bragança que serviu um almoço excelente. Na mesa encontrávamos Pão de Centeio e Trigo, Folar, Alcaparras e Salpicão. Apesar do meu amigo armando Fernandes não achar pertinente a presença do Folar, por estarmos fora da Páscoa, não estou de acordo com ele e disse-lhe. A presença do folar, hoje em dia em Lisboa, é permanente e é uma forma de matar saudades da terra. E olhem que se come folar de alta qualidade.

Seguiram-se uma Repolgas Guisadas com Chouriço, de apetecer repetir. Depois um Caldo de Perdiz. O Polvo Guisado à Transmontana, com Arroz Branco estava perfeito. E eu que tive a oportunidade de o ver descarregar, fresco, e de o ver entrar na panela para começar a cozer...! Seguiu-se uma Posta Mirandesa com Batata a Murro e Legumes, à qual não se podia exigir mais. Para sobremesa um misto de doces com Pudim de Castanhas, Doce de Abóbora, Tarte de Grão-de-Bico, Bola Doce Mirandesa e Marmelos em Calda. Bem, pode dizer-se que era tudo muitos doces. Talvez, mas era dia de festa.

No dia da Região de Turismo do Douro, coube a responsabilidade de execução do almoço ao Restaurante da "Pensão Borges", de Baião. Segundo a organização tratava-se de um almoço evocativo de Eça de Queirós, com referência a pratos citados na obra "A Cidade e as Serras".

Na mesa estavam colocadas Pataniscas, Peixinhos da Horta, Presunto, Enchidos, Queijos e Azeitonas. O repasto iniciou-se com um reconfortante Caldo de Galinha com Fígados e Moelas, à moda antiga. Seguiu-se um surpreendente Bacalhau com Pimentos e Grão-de-Bico numa ligação perfeita e de cozedura no ponto. Para continuarmos o Arroz de Favas (como há muito tempo não comia) com Frango Aloirado e Fatias de Presunto da mesma forma. Parecia estarmos a comer numa casa abastada das nossas terras, e confecção das nossas Avós.

Terminámos com uma Sopa Dourada e Salada de Laranjas da Pala.

Parabéns a todos. Apetece escrever: os Transmontanos no seu Melhor!

Para 2008 haverá mais.

Bom Apetite!

© Virgílio Gomes

Lançamento do livro "DO TEMPO DA OUTRA SENHORA", de Luís Urgais

Teve lugar no passado dia 15 de Novembro, na Sede da CTMAD, mais um lançamento - apresentação - de um livro, este da autoria de Luís Urgais (pseudónimo de Luís Manuel de Sousa Peixeira, nosso distinto associado), intitulado "DO TEMPO DA OUTRA SENHORA".

O acontecimento foi participado por algumas dezenas de associados e amigos do autor tendo, na ocasião, apresentado as boas vindas, em nome da CTMAD, o Vogal da Direcção, António Cepeda que disse:

"É com um sentimento de alegria que dirijo as minhas palavras a toda a audiência.

Desde logo por Luís Urgais ter escolhido a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro para lançar mais um livro de sua autoria, na senda de outros que já publicou, como sejam "Da Mestiçagem à Caboverdianidade", "Penedono no Contexto da Reconquista" e "Trancosã". Uma escolha que nos honra e que nos obriga a prosseguir esta ingente tarefa de dar, não só, guarida, mas, principalmente, voz aos transmontanos e altodurienses radicados em Lisboa que, pelas suas qualidades, mereçam ser reconhecidos e valorizados pela comunidade cultural nacional.

Alegria também pela satisfação de ver este nosso conterrâneo, natural de Mozinhos - Souto de Penedono, prosseguir a sua carreira literária a par da que profissional e proficuamente desenvolve no Município de Odivelas. Parafraseando, todos não somos demais para honrar a Região a que afectivamente o coração nos une e por certo, no futuro, com outras obras, o Dr. Luís Peixeira continuará a contribuir para as suas origens serem cada vez mais faladas e realçadas.

O meu contentamento advém ainda de alguma da temática escolhida para o livro que hoje nos ilumina e que muito prezo. Sem liberdade o mundo seria a preto e branco, belo para uns poucos e terrível para tantos outros, procuremos pois que a cor invada as nossas vidas e que o arco-íris jamais deixe de iluminar o Portugal do futuro.

Para apresentar "Do Tempo Da Outra Senhora" convidou o Autor, o Sr. Dr. Manuel Porfírio Varges cuja relevante actividade como Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Odivelas dispensaria, por si só, demais apresentações. Contudo, porque se trata também de outro ilustre conterrâneo, perdoe-se-me a vaidade de evidenciar a sua trajectória profissional pois, assim, de igual modo, se enobrece a casta transmontana e alto duriense.

Natural da Freguesia de Almendra, Concelho de Vila Nova de Foz Côa, cedo veio para Lisboa vindo a licenciar-se, em 1973, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Exerceu inicialmente grande parte da sua actividade na "Marconi" tendo nesta empresa desempenhado funções de elevada responsabilidade

É por essa altura que exerce também actividade como Técnico Superior de Planeamento no "Gabinete de Estudos e Planeamento" da "Direcção-Geral de Transportes Terrestres" e, já depois do 25 de Abril, assegura, como Administrador, a representação do Estado na "UTIC, Sociedade Cooperativa de Transportadores Rodoviários", à época com mais de 2.500 trabalhadores e apreciável facturação.

O seu contributo à causa pública é bem evidente, desde muito cedo, tendo sido, sucessivamente, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado dos Transportes no 1º Governo Constitucional e autarca na Freguesia da Lapa, em Lisboa e no Município de Loures. Eleito Deputado à Assembleia da República em 1995 ali integra diversas comissões especializadas, passando, a partir de 1999, a presidir à Comissão Instaladora do Novo Município de Odivelas.

Como já referi, o Dr. Manuel Varges está indelevelmente ligado à Cidade de Odivelas por ter sido o primeiro eleito para a sua liderança cargo que exerceu durante um mandato não tendo renovado, infelizmente, a sua candidatura. Podemos contudo, ainda agora, apreciá-lo como professor de Economia Geral na Universidade Sénior de Odivelas.

Vou terminar dando a palavra ao Dr. Manuel Varges para nos falar do livro e do seu autor. A mim resta-me agradecer a presença de ambos nesta casa regional que desejamos vos seja acolhedora e endereçar parabéns ao Dr. Luís Peixeira e à Editora Palimage por fazerem do livro uma bandeira pela qual vale a pena lutar."

Tomada a palavra, o Dr. Manuel Varges falou do "Do Tempo da Outra Senhora", um livro de contos contendo ficções de uma época real, em que a ruralidade se cruza com a paisagem urbana numa época que atravessa o tempo entre o fim do Estado Novo e o advento de uma liberdade tão desejada. Nestas páginas se entrecruzam, também, vivências actuais com as vicissitudes de uma sociedade colonial que encarnava a mundividência de um regime obtuso e autista. As mentalidades, no entanto, não mudam repentinamente, e muito do imaginário social de então permanece até aos nossos dias.

Falou igualmente do autor, dos laços de amizade que a ele o unem e da vivência profissional intensa e comummente desenvolvida em Odivelas, tendo-lhe expressado carinhosas saudações e manifestado o muito apreço por mais esta sua notável obra literária.

Por fim, LUÍS URGAIS, agradeceu a todos o generoso apoio que lhe acabava de ser prestado, configurado pela significativa presença dos que ali haviam acorrido. Convidou, por último todos os amigos a degustarem um vinho fino, encerrando-se desta forma mais uma jornada cultural da CTMAD, digna do seu histórico passado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

QUE MORRA O SILÊNCIO !

"QUE MORRA O SILÊNCIO" foi o silêncio que, de algumas vidas de Morais até Lisboa, desventrado ficou com a publicação do romance em título, da autoria de Manuel Moura, conterrâneo e associado da CTMAD de Lisboa e co-fundador da de Faro, militar de Abril, e um amigo de sempre que, sem esquecer, mais uma vez, a terra que o viu nascer, deu-nos o privilégio de nos recordar os idos anos de cinquenta e sessenta e de nos apresentar e prendar com o que, em síntese e à falta de melhor expressão, poderemos designar por romance neo-realista. E dizemos neo-realista porque Manuel Moura, no segundo livro que dá à estampa, utiliza um estilo livre e coloquial, uma linguagem simples e acessível, por vezes regional, ou até local, a lembrar, de quando em vez, Aquilino Ribeiro da nossa Terra Quente ou mesmo Bento da Cruz, da Terra Fria de Montalegre.

Que MORRA O SILENCIO mostra-nos, em jeito e pendor dialéctico, os contrastes entre a cidade e o campo, entre Lisboa e a aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, entre a vida dos pobres camponeses, que designa por Farroupilhas, e os Inchados que, sendo remediados, vivem à sombra dos ricos, que identifica por Engomados.

Com um bom número de personagens constrói um conjunto de pequenas situações novelescas que, com um leve fio condutor, consegue transmitir-lhe a indispensável conexão do romance, de sabor simultaneamente campestre e urbano, de vidas e relações ora proibidas em razão da moral e da religião, ora mesmo coagidas pelo poder económico de um dos personagens mais marcantes do romance que o tornam uma figura detestável, atrevido e sem vergonha, tanto capaz de tirar a esmola na missa como de encarnar o descontrolado libertino a fazer o rente a tudo que tenha saias.

Sem entrar em mais pormenores, para não perder a curiosidade dos leitores, bem se pode dizer "Que Morra o Silencio" se lê com agrado, talvez por duas ou três vezes, pois que o leitor fica preso à procura do que vai suceder a cada um das personagens, nomeadamente à Marilina, ao César Bailão, ao Manuel Rovisco que vão desfilando pelos caminhos de Micacha até ao Monte Ervedeiro, ou mesmo, de Morelos até ao Porto e Lisboa.

Após a apresentação do livro e dos autógrafos do escritor na nossa Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 18 de Outubro último, seguiu-se um delicioso jantar durante o qual houve conversa animada com o autor e sua família.

Esperemos, para breve, novo romance de Manuel Moura!

VAMOS VISITAR O MUSEU DE ARTE DO SILVA

O nosso sócio n.º 2317 - ALBANO TEIXEIRA SILVA visitou-nos, uma vez mais, e deixou expresso um convite, não só à Direcção da CTMAD, como também a todos os demais associados, para uma visita ao "Museu" que, com muito carinho e dedicação, levantou em honra da sua aldeia CIDADELHA DE JALES, concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Tal museu, inserido na Rede Nacional de Museus, sendo uma obra de inegável qualidade e ao qual o autor dedicou todo o seu coração e afecto, bem merece uma visita de todos os transmontanos e alto durienses pelo que o convite aqui fica com indicação da respectiva morada e telefone:

Local : RUA CASAL BRANCO, N.º 39 - 2700-167 AMADORA (na estrada que liga a Pontinha a Caneças, junto ao "Lidl");

Telefones: Museu: 214 939 330; Móvel: 914 012 519.

A Direcção da CTMAD programará, em 2008, uma visita conjunta ao Museu do Silva, a qual será oportunamente anunciada no nosso jornal para que, desse modo, a ela se possam associar todos quantos assim o desejarem.

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