domingo, 13 de abril de 2008

Editorial - Homenageemos Trindade Coelho

Comemora-se este ano o primeiro centenário da morte de José Francisco de Trindade Coelho, um nosso conterrâneo nascido em Mogadouro no ano de 1861.

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro tem o dever de honrar a memória deste ilustre transmontano, não só pelo facto de se tratar de um escritor português de nomeada, mas também porque foi um dos fundadores da nossa Instituição, tendo nela desempenhado os cargos de Presidente da Assembleia Geral e Director dos Anais.

A sua dedicação à nossa Casa está indelevelmente presente na nossa sede, pois que o mobiliário de escritório nobre que faz parte da nossa actual Biblioteca foi objecto de uma doação sua.

Vindo ao encontro da vontade que já tínhamos de prestar homenagem a esta grande figura de escritor, pedagogo, jornalista, jurista e político, a Câmara Municipal de Mogadouro lembrou-se, em boa hora, de nos propor a celebração de um protocolo que nos permitirá, em conjunto com ela, prestar a justa homenagem que desejamos seja grandiosa para honrar condignamente a memória deste ilustre Mogadourense. Esta será, aliás, a segunda grande participação da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro num processo com tão justo e digno objectivo, porquanto a primeira decorreu no ano de 1947, quando uma Delegação nossa participou em Mogadouro numa sessão magna de homenagem à memória e obra desse grande escritor, da qual viria a resultar a edificação do monumento ao mesmo que ainda hoje sobressai na sua terra.

Quando o grande cientista e político Benjamin Franklin afirmava que de todas as dívidas a mais sagrada é o reconhecimento, ele tinha razão, porque reconhecer e agradecer a grandeza e generosidade de um espírito criador e nobre como o de Trindade Coelho engrandece quem o faz e constitui um exemplo para os outros, em particular para os mais novos, ensinando-os a manter viva a memória dos grandes homens do nosso país, porque eles constituem a alma de um povo e o sangue oxigenado de uma nação.

O autor de «Os meus amores» e «Outros Amores» , para além do virtuosismo da boa escrita, patenteia na sua vida e obra o amor à terra que o viu nascer. Ainda que tenha circulado por várias regiões por força da sua condição de procurador régio, decidiu escrever com base em cenários da sua terra natal, reflectindo nos diálogos a própria linguagem do seu povo.

Bem-haja pelo legado e pelo exemplo que nos deixou.

sábado, 12 de abril de 2008

Universidade da Moldávia homenageia professor unversitário português

A Universitatea Pedagogica de Stat da República da Moldávia distinguiu recentemente o Prof. Doutor José Alcino Rodrigues Carvalho com o título de Doutor Honoris Causa por aquela Universidade.

A cerimónia da atribuição do título teve lugar em Chisinau, capital da Moldávia, em reunião pública do Senado da Universidade, no passado dia 25 de Fevereiro.

A distinção foi atribuída em reconhecimento do mérito da acção do Prof. Rodrigues Carvalho no âmbito da cooperação internacional universitária, bem como do apoio à integração da Moldávia na área Europeia de Ensino Superior e à promoção dos objectivos de Bolonha naquele país.

O homenageado, associado da CTMAD, é natural de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços; frequentou o ensino secundário primeiro em Chaves e depois em Vila Real; licenciou-se em Ciências Geológicas na Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências) em 1967, e doutorou-se na Universidade de Londres (Imperial College of Science Technology) em 1981; é professor da Universidade Nova de Lisboa, onde exerce actividade desde 1975;

Nos últimos três anos e meio o Prof. Rodrigues Carvalho integrou um grupo de trabalho onde se incluíam representantes de várias universidades da República da Moldávia e da União Europeia bem como do Ministério da Educação e Juventude da Moldávia que se dedicou ao estudo de aspectos da integração da Moldávia na Área Europeia do Ensino Superior e no sistema de Bolonha.

Mestre Nadir Afonso

Estava agendada pela Direcção, uma homenagem a Nadir Afonso que iria ser levada a cabo muito brevemente.


Quando entrámos em contacto com o Mestre para acerto de datas e outros pormenores, fomos informados pelo próprio que um complicado problema de saúde o impossibilitava, para já, de participar nessa cerimónia.


Desejamos a Nadir Afonso um rápido restabelecimento, que lhe permita em breve o regresso ao trabalho das formas e da sua geometria e para podermos levar a cabo a homenagem que muito desejamos concretizar e que o Mestre merece.


A Direcção

terça-feira, 8 de abril de 2008

Pecar e comer

O padre Manuel Bernardes (1644-1710) foi um péssimo amigo da cozinha e dos cozinheiros. Este ilustre homem da Igreja, e líder de opinião naquele tempo, escreveu que "O demónio é cozinheiro; se vê que não gostamos do pecado guisado de um modo, tantos temperinhos lhe busca, até que nos abre a vontade, e se não levamos todo, contenta-se com que provemos algum bocado." E continua afirmando que "comer saboreando-se e gozando os manjares não é de homem, mas de animais imundos que a toda a pressa e com toda a aplicação grunhem, e fossam, e se atolam no lameiro." Mas vai mais longe afirmando que o taberneiro que baptize o vinho os seus pecados lhe serão perdoados. Claro que hoje quem misturar água ao vinho poderá ir preso, e justamente.

Já lá vai o tempo em que alguns prazeres eram associados ao pecado, e os artífices dessas Artes, os principais culpados. Apetece dizer hoje, Benditos cozinheiros, ou Benditos provocadores do pecado da Gula!

Estas afirmações devem-se ao início do século XVIII, quando apenas estava ainda publicado um só livro de receitas, e do cozinheiro da corte. Ainda não havia restaurantes em Portugal, com as características de hoje.

Dispomos de relatos curiosos de estrangeiros que visitaram Portugal nos finais do século XVIII e princípios do século XIX, depois de já conhecerem outros países, e que nos relatam o que seria a alimentação e os estabelecimentos de alimentação ao público mais conhecidos, que eram as hospedarias.

J. B. F. Carrère, em 1796 escreveu o seguinte: "Chega a hora da refeição: uma toalha com mais de oito dias de serviço, um garfo de ferro ferrugento e gorduroso, pratos rachados ou esbeiçados, sopa aguada, guisado a tresandar a fumo e com molho só temperado com sal, e um assado duro, seco e queimado, vão sendo postos na mesa que está tão suja como o chão em que assenta.

Em Lisboa há muitas hospedarias, mas nenhuma é boa. Numas as refeições são em mesa redonda e a preço fixo; noutras come-se o que se pedir, pagando-se conforme os pratos escolhidos.

...As hospedarias portuguesas são as piores, as melhores são dirigidas por estrangeiros."

Outros viajantes escreveram sobre Portugal naquele tempo como Dabrymple, Costigan, Murphy, Gorani e especialmente William Beckford que nos deixou as suas memórias em livro nos dois períodos que viveu entre nós.

Mas estamos a entrar no século XIX onde as referências culinárias, o aparecimento dos primeiros restaurantes, a publicação de vários livros de receitas, a referência à própria gastronomia na literatura portuguesa, vão alterar as mentalidades da época.

As grandes informações e modas continuam a chegar de França, onde se inicia a publicação de crítica gastronómica. Basta lembrar Grimod de la Reynière, com os seus Almanaques, e que ainda publica o Manual dos Anfitriões em 1808, onde refere o papel importante dos Chefes de Cozinha. No entanto alerta que, um grande Chefe se estiver ao serviço de um grande senhor mas que não fale a sua linguagem, e não exija dele em permanência, em breve também o grande chefe entrará em decadência. É o conceito de grande Chefe executor e capaz de por em prática os anseios dos outros, do seu senhor, do seu mestre ou patrão. Claro que Câreme saiu deste grupo, criando o seu próprio estilo.

Mas regressemos a Portugal nos inícios do século XX.

Carlos Bento da Maia publica em 1904 o seu Tratado Completo de Cozinha no qual se lamenta do mau ensino profissional comparando com França "onde os discípulos, assentados nas suas bancadas, assistem às prelecções de um cozinheiro, que, tendo por trás da sua mesa um fogão, descreve o modo de executar, e executa ao mesmo tempo, os trabalhos relativos às iguarias que deve preparar durante aquela lição, iguarias cujos nomes estão indicados numa tabuleta do mostrador da aula."

Em contrapartida queixa-se que "No nosso país, infelizmente, estão muito atrasados os ensinos profissionais e a maior parte dos directores de asilos têm o mau senso de ter serviçais para as educandas; de modo que em vez de criarem raparigas aptas para ganhar facilmente a vida com honestidade, criam pseudo - senhoras pretensiosas com desprezo pelos trabalhos manuais e tendo por futuro a miséria ou a vadiagem."

Já naquele tempo a reconhecer que a qualidade da formação depende da qualidade dos formadores!

Até o Diário de Notícias, daquele tempo, apoiava este conceito que desenvolveu no seu editorial de 4 de Outubro de 1903. Lamentavelmente perdemos, no actual Diário de Notícias, agora a página de Boa Vida a que já estávamos habituados... e tantos chefes encontraram espaço! Hoje que tanto se publica sobre a culinária e outros temas ligados à alimentação tínhamos uma referência diária. Outro capítulo em que o futebol ficou a ganhar...!

Comer fora passou a ser uma necessidade e uma obrigatoriedade, pelo que também um prazer. Por isso também a vontade de maior informação.


© Virgílio Gomes

Comunicado da Direcção sobre o Conselho Regional

A Direcção, após uma cuidadosa análise do trabalho desenvolvido pelo anterior Conselho Regional, considerou que aquele teve um desempenho globalmente positivo, pese embora ter-se constatado que apenas 16 dos 39 conselheiros participaram em 4 ou mais reuniões em 7 possíveis (excluindo a primeira e a última), e dois não participaram em qualquer reunião. Ao iniciar o processo de constituição do novo Conselho Regional verificou várias debilidades tanto na composição da massa associativa da Casa, que condicionam a composição do Conselho, como na distribuição dos anteriores conselheiros que criam alguns problemas à constituição deste órgão:


  • Ao analisar a constituição da massa associativa, a Direcção verifica que existe uma altíssima percentagem de associados sem vinculação a qualquer Concelho, o que impede a consideração de muitos deles para futuros Conselheiros Regionais.
  • Por outro lado, dos que declaram essa vinculação, existe uma fortíssima assimetria na distribuição dos sócios por Concelho, pois em 35 concelhos da região TMAD, tendo em conta só os que pagaram quotas desde 2005:
  • 10 Concelhos (Valpaços Chaves, Bragança, Vila Real, Mirandela, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Vimioso, Montalegre e Torre de Moncorvo) têm 66% do total;
  • 10 Concelhos (S. João da Pesqueira, Santa Marta de Penaguião, Tabuaço, Vila Nova de Foz Côa, Boticas, Mondim de Basto, Resende, Armamar, Mesão Frio, Penedono) têm menos de 10 sócios declarados;
  • Destes, 6 Concelhos [Resende (2 associados), Armamar (1), Mesão Frio (1), Penedono (1), Figueira de Castelo Rodrigo (0) e Meda (0)] não têm número de sócios suficiente para terem 3 conselheiros no Conselho Regional, e os dois últimos não podem ter mesmo qualquer conselheiro.
  • No que respeita aos conselheiros, dos 33 concelhos com sócios (dos 35 da região) foram empossados 39 conselheiros, num limite possível de 92 (o limite estatutário possível para estes Concelhos é de 99, e o absoluto, para todos os concelhos da região, é 105), mas:
  • De 8 concelhos (Armamar, Figueira de Castelo Rodrigo, Meda, Peso da Régua, Penedono, Sabrosa, S. João da Pesqueira, Tabuaço) não existem conselheiros;
  • Por via das eleições o número de conselheiros do extinto Conselho Regional que podem ser reconduzidos é de 33, visto 6 terem passado a fazer parte dos novos Corpos Gerentes, pelo que 2 concelhos (Boticas e Murça) ficaram sem conselheiros a reconduzir, num total de 10.

Com este enquadramento, a Direcção está empenhada em que os sócios que desejem acompanhar de perto a actividade da Casa o possam fazer naquela estrutura consultiva, nos limites impostos pelos Estatutos, sem prejuízo todavia de que todos os Conselheiros a nomear assumam o compromisso de nele participar assiduamente, num claro espírito de colaboração na prossecução dos objectivos que a Casa se propõe levar a cabo.

Assim ao abrigo do nº 1 do artigo 26º dos Estatutos da CTMAD a Direcção propõe-se reconduzir imediatamente os conselheiros que no anterior Conselho participaram em 4 ou mais reuniões em sete possíveis (da 2ª à 8ª), por se ter entendido poderem dar garantias mínimas de disponibilidade, desde que não pertençam aos actuais Corpos Gerentes, e façam chegar à Direcção até ao dia 21 de Abril a indicação de que estão disponíveis para garantir uma actividade regular e empenhada nos trabalhos do Conselho Regional. Se os reconduzidos aceitarem, estão já representados 13 Concelhos, com 13 conselheiros, havendo ainda muito trabalho a fazer para criar uma mais ampla representação.

Todos os anteriores conselheiros que não se encontrem na situação supracitada, serão considerados em igualdade com todos os outros sócios, mediante ponderação casuística da sua disponibilidade para o exercício do cargo.

A Direcção apela aos sócios da Casa para que se disponibilizem para serem conselheiros. Para que se possa ter uma Casa e um Conselho Regional pujantes, é necessário eliminar a assimetria de composição da massa associativa assinalada anteriormente, que tenhamos mais sócios, e que estes, por se orgulharem de pertencer a uma Associação com mais de cem anos de existência, procurem propor novos Conselheiros e trazer mais associados, e.g. os oriundos daqueles Concelhos em que é exíguo esse número, ou mesmo inexistente, e sobretudo mais receitas para que, unindo esforços, possamos levar a bom porto aquilo a que nos propusemos. Só assim será possível um reforço do Conselho Regional, com conselheiros oriundos de todos os Concelhos, até ao limite absoluto de 105 conselheiros.

CTMAD, Lisboa, 25 de Março de 2008

A Direcção

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A catedral das portas vermelhas

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro vai organizar em Maio próximo um passeio à nossa região e à Galiza.

Faz parte do mesmo uma estada em Chaves.
Com jantar no Faustino, é claro.

Por isso tratei, aproveitando as férias da Páscoa que normalmente passo na minha terra natal, de me deslocar à velha catedral da Travessa do Olival para verificar in loco se tudo estava na mesma.

E estava, exceptuando não ter visto o meu bom amigo Eduardo Faustino que por motivos de doença não ocupava o seu posto de trabalho. Mas em compensação, tive a oportunidade de estar com sua esposa, Dª Odete, que me explicou a falta do marido.

Falta justificada.

Estive, vai-não-vai, para lhe perguntar o que iria oferecer aos nossos associados que vão participar no passeio.

A resposta óbvia "coisas boas" inibiu-me de o fazer.

Para quem ainda não conhece "a maior secção de venda de vinho a retalho do país" (J.N.V. 1942), o Faustino, que vai a caminho dos 90 anos, tem passado de geração em geração (lembro-me de lá ver o pai e agora vi lá a neta e bisneto), sempre atento aos sinais dos tempos e vai mantendo o que é de manter e alterando o que é de alterar.

Foi assim que uma velha serralharia, com o seu travejamento muito peculiar, da autoria de mestre Vicente Costa, marceneiro de profissão, se transformou naquilo que hoje é.

Mantendo o seu chão em paralelepípedos de granito, mesas com bancos de madeira, tonéis de 20 mil litros, 15 metros de balcão de pedra e bons petiscos, mudou parcialmente o menu, enriquecendo-o com novas iguarias e albergou actividades tão distintas e afinal tão próximas da gastronomia, numa alquimia perfeita de linguiça, exposições de pintura, pica-pau, coxinhas de rã, representações teatrais, orelha, salpicão, moelas, fados, alheira, bolinhos de bacalhau, variedades, iscas de cebolada, arroz de tomate, cerimónias diversas, salada de bacalhau "feita à mão", batata frita à velha maneira, leite-creme, arroz doce.

Chega?

A integração de novas ideias e de novos projectos não lhe desvirtuou a alma e para quem, como eu, já lá vai há umas dezenas de anos, é sempre com prazer que assisto a este milagre faustiniano: muda, muda, muda e afinal... fica na mesma. Como a gente gosta.

Bom. Sem querer influenciar o leitor, caso se desloque pela primeira vez a esta velha Taberna, e apenas a título de exemplo, eu pedi e deliciei-me com pão centeio, queijinho de meia cura e umas tirinhas de presunto regional, para ir fazendo boca ao tinto do lavrador. Depois de uma sopinha de cebola, foi-me servido meio bife de vitela barrosã, com os temperos no ponto, a saber a carne de pasto e acompanhado de salada mista.

Terminei com um pratinho de aletria com canela.

Que mais poderia pedir?

Creio que nada.

Se vivesse em Chaves estaria disposto a encabeçar uma manifestação a protestar contra o encerramento aos Domingos.

Como vivo em Lisboa...entendo perfeitamente que o pessoal tire um dia de descanso. Até porque bem o merece.

domingo, 6 de abril de 2008

A minha visão da nossa Casa

Ao escrever este artigo faço-o essencialmente como reflexão e intuito de homenagear todos os sócios que de alguma forma contribuíram para o engrandecimento da nossa casa durante a sua já longa história de mais de 100 anos ressalvando aqui e ali aspectos marcantes da sua história.

Nestes cerca de 34 anos, tempo em que tive a honra de estar ligado a ela quer como membro de várias comissões quer incluindo os seus corpos sociais, habituei-me a senti-la de forma apaixonada. As suas paredes foram de algum modo transmitindo ao longo destes anos a história de homens e mulheres de uma região esquecida pelas políticas de quem tem tido o privilégio de governar Portugal. A nossa Casa passou por diversos períodos, uns melhores outros menos bons pois as vivências dos tempos nem sempre foram ao encontro dos nossos desejos, com certeza por força das vicissitudes da própria sociedade em que se vivia e vive. É de salientar mesmo assim a sua importância em determinada época da sua história na cidade de Lisboa através da realização de diversas acções de cariz social.

Os congressos de Trás-os-Montes e Alto Douro por ela realizados a semana da nossa região no casino Estoril a organização de debates sobre os problemas da região debatidos dentro e fora da casa os encontros/festas com grupos da região a promoção dos seus produtos a criação da federação das casas de TMAD, (ainda que até á data não se tivesse obtido o resultado esperado) encontros com outras casa regionais que não da Região, as exposições de pintura, lançamento de livros de autores da nossa terra e o jornal são entre outros, marcos que têm deixado bem vincada a força de uma casa com mais de um século de existência.

Ainda que correndo o risco de poder ser injusto nesta minha análise, o que desde já me penitencio, gostaria de destacar alguns nomes que em minha opinião estiveram sempre disponíveis para ajudar a cimentar a importância da casa até aos nossos dias. É evidente que o mérito vai 1º para todos os que tiveram a feliz ideia de criar a casa 1º como Clube Transmontano depois como Grémio. Homens que no seguimento da história foram dando lugar a outros como Bento Roma, Cap. Álvaro Cepeda, (que tem tido no seu filho um grande continuador da sua obra na casa) Dr. João D'Almendra, Dr. Ferreira Deusdado, Joaquim Delgado, Dr. Montalvão Machado, Eng.º Eduardo António Carneiro o Sr. Comendador Francisco Barbosa, Prof. Adrião Lopes, General Altino de Magalhães, Dr. Daniel Justino dos Santos, Dr.Varejão Castelo Branco e Eng.º Tomás Rebelo Espírito Santo, entre outros. Nesta hora não posso esquecer também muitos sócios que através de diferente formas ajudaram a contribuir para o sucesso da casa. São estes sócios porventura menos visíveis que por eles tem também passado muito da vida da casa mas que na minha opinião têm sido de alguma forma esquecidos. Há que os trazer de volta.

Apesar desse contributo, muito há ainda por realizar ela continua a precisar de todos nós para levar a bom porto a sua mensagem e para continuar e fortalecer essa mensagem é evidente que uma sede condigna é necessariamente prioritária não se compreendendo como é que ao longo dos anos a nossa influência nunca tivesse sido capaz de adquirir uma sede com outras dimensões de forma a discutir não só aos projectos da casa como até servir de apoio á própria região.

Acredito que esta direcção vai definitivamente resolver este problema que nos afecta há vários anos e a maior esperança é sem dúvida a nossa estimada sócia Dr.ª Ana Sara Brito que além de membro dos corpos sociais da casa é vereadora da Câmara de Lisboa, está bem por dentro das necessidades da casa e, sei fará todos os possíveis para resolver de uma vez por todas este malfadado problema.

Nesta hora, gostaria de ter uma palavra, para com os que deixaram de fazer parte dos corpos sociais desejando como é óbvio as maiores felicidades aos que ficam porque a meta é o futuro e o futuro passa por cimentar cada vez mais a importância da casa na área de Lisboa e na Região.

São eles o Modesto Navarro que na sua mensagem esteve sempre presente a importância da casa no contexto da grande Lisboa e ao mesmo tempo alertando para os problemas da região. Ao Dr. Serafim de Sousa que com a sua peculiar forma de ser, viveu a casa de uma maneira bem diferente contagiando todos com a sua dinâmica de trabalho e forma de comunicar, trazendo-nos momentos de alegria apesar das actas que teve que fazer durante estes últimos anos.

Ao Manuel Ferreira pelo sentido do trabalho associativo desenvolvido na casa.

Á Dr.ª Maria Virgínia pelo grande esforço que tentou imprimir á casa na actividade cultural.

Ao Dr. Duarte Guedes Vaz e sua equipa pelo grande trabalho desenvolvido em prol de um melhor Concelho Regional e pela constante preocupação com a casa e a região.

Á D. Dores por ter trazido o sentimento das nossas terras ao serviço da casa nomeadamente através da qualidade gastronómica ao grupo Maranús pelo contributo inexcedível de longo tempo para com a casa, ao antigo grupo de cantares da casa em particular ao Dr. Marcelo Brandão e aos membros que durante anos formaram a banda filarmónica da casa em particular ao Carlos Gomes Silveira.

Ao Dr. Abel Moutinho que podendo ser considerado algo excessivo em quês e porquês em relação a determinadas tomadas de posição, não deixa contudo de debater afincadamente a casa e de se preocupar com ela e com a região.

Ao Eng.º Machado Rodrigues e a importância do seu grande contributo através do terreno para a construção da sede. Ao Coronel Teófilo Bento e a preocupação de manter o elo dos sócios com a casa ao Dr. Fernando Sá e a constante preocupação com a questão financeira da casa, ao Eng.º Amilcar Morais pelo grande contributo na adaptação e organização da casa a nível informático.

Ao Sr. General Alípio Tomé Pinto por ter estado sempre com a casa durante estes anos todos e pelo apelo aos valores da nossa terra que sempre tentou chamar para a casa.

Por último ao Dr. Armando Jorge e Silva o homem que nos últimos anos mais me impressionou pela sua inteligência, dedicação á casa e disponibilidade em relação ao trabalho voluntário nela desenvolvido, á grande capacidade de trabalho e pela visão equilibrada e ponderada com que sempre viveu a casa. Do conhecimento que tenho da casa e do contacto que tive com inúmeros sócios que contribuíram para o bem estar dela durante estes 34 anos, não tenho dúvidas em reconhecer o Dr. Armando Jorge como um dos grandes homens que passaram por ela, a sua postura e o seu trasmontanismo de amor ás causas da casa e da região falam mais alto que as palavras, estes são os valores herdados da sua meninice e que perduram felizmente ainda até aos nossos tempos.

Ninguém tem dúvidas que a história é feita do passado valorizá-la depende de nós mas para isso é importante que saibamos adaptarmo-nos ao presente com o objectivo de atingir o futuro e, é pensando nele que a casa precisa forçosamente de ser renovar e organizar projectando-a para o exterior o mais depressa possível. Esse futuro deve passar essencialmente por uma maior visibilidade junto da Comunicação Social, autarquias da nossa região e da Câmara de Lisboa de forma a inseri-la nas actividades da própria cidade. Somos cerca de 350 mil não podemos continuar a funcionar só para um número cerca de 1000 pessoas. Os debates concelhios, o jornal, o restaurante, a actividade cultural e musical nomeadamente a resolução do contencioso com o grupo de Lhíngua Mirandesa são primordiais para o bom funcionamento da casa.

Á nova direcção desejo as maiores felicidades ao novo Presidente Prof. Jorge Valadares assim como ao Sr. Dr. Guilhermino Pires que como homem da casa e seu grande conhecedor estou certo, irão dar seguimento ao trabalho desenvolvido pela anterior direcção de forma a dar os frutos que todos desejamos, ou seja a conclusão da eterna nova sede trazendo-nos definitivamente a felicidade que nos tem faltado há tempo demais. Vamos ter esperança e apoiar a casa de forma a contribuirmos para a sua continuidade no tempo.

Um abraço a todos os sócios.

Viva a nossa Casa ! Viva a nossa Região de Trás-os-Montes e Alto Douro !

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