quarta-feira, 23 de abril de 2008

Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa

QUINHENTOS MILHÕES DE EUROS À ESPERA DE BONS PROJECTOS EM PORTUGAL

por António Chaves

Projectos nacionais, regionais ou locais nas áreas da coesão social, da gestão do ambiente e do desenvolvimento do capital humano podem ser financiados pelo CEB, Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa.

Portugal obteve, desta Instituição, até ao presente, empréstimos no valor de 500 milhões de euros, (4% do total dos empréstimos efectuados por esta organização financeira.

No entender do Secretário de Estado do Tesouro este valor pode ser duplicado até 2010.

Para conseguir obter mais 500 milhões de euros de empréstimos é necessário revelar capacidade de iniciativa e conceber, elaborar e apresentar projectos elegíveis no quadro das acções prioritárias definidas pelo Banco.

Eis uma importante oportunidade de financiamento de projectos para combater a desertificação em Trás-os-Montes, promover a criação de emprego e melhorar o ambiente e as condições de vida das populações.

Estamos a pensar em Cooperativas, Misericórdias, Jardins de Infância, Escolas Pré-Primárias, Serviços de Apoio a Idosos, Associações de Bombeiros, Organizações de Formação, Sistemas de Rega e de Reflorestação, Projectos de Compostagem a partir do corte de matos, transformando-os em fertilizante orgânico e ecológico para melhorar o rendimento das explorações agrícolas, elevar e certificar a qualidade dos produtos, controlar os incêndios e reduzir a emissão de CO2 para a atmosfera.

A experiência demonstra que a obtenção de financiamentos não é o resultado directo do reconhecimento das reais carências, mas antes da capacidade de organização e apresentação de projectos elegíveis, sobretudo quando é relevante demonstrar os efeitos previsíveis a nível regional ou sectorial, que obrigam a uma cooperação efectiva de diversas entidades.

Os Municípios, As Associações dos Municípios do Alto Tâmega e dos Municípios de Trás-os-Montes e Alto Douro têm aqui a possibilidade de concretizar oportunidades de financiamentos para projectos de reconhecido interesse social.

O Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB) foi criado em 1956, com a missão de financiar projectos na área da coesão social (habitação social e criação e manutenção de postos de trabalho), construção e reabilitação de infra-estruturas, transportes e de serviços administrativos e judiciais, dando resposta a necessidades de recuperação, específicas do pós-guerra.

A missão do CEB foi posteriormente alargada ao financiamento de projectos nas áreas do ambiente e do desenvolvimento do capital humano (saúde, educação, formação profissional e infra-estruturas adjacentes) . Podem candidatar-se entidades do sector publico (nacionais, regionais ou locais), entidades privadas sem fins lucrativos e organizações empresariais (PMEs). O CEB financia até 50% do total do investimento, de forma rápida e flexível, com reembolsos de 10 a 20 anos e uma carência de capital de um a cinco anos, além de taxas de juro muito favoráveis.

No ultimo workshop de apresentação do CEB em Lisboa, em 20 de Fevereiro e no Porto a 21 , estiveram presentes o Secretário de Estado do Tesouro e o Vice Governador do CEB, Mr. Apolónio Ruiz - Ligero, onde foram expostos os critérios de avaliação e elaboração de projectos que, no dizer do responsável por Portugal se resumem, numa fase inicial, a uma condensação, em 2/3 páginas, dos objectivos, localização, porque é um sector especifico de actuação prioritária, nome do candidato e possíveis garantias, principais efeitos financeiros e valor acrescentado,, resultante da participação do CEB, gestão e benefícios finais, plano de custos, implementação, indicativo das condições financeiras e identificação dos possíveis riscos do projecto.

No referido workshop realizaram-se vários encontros bilaterais entre os responsáveis do banco e entidades que manifestaram esse interesse. Para informações complementares, contactar o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças ou consultar o site: http://www.gpeari.min-financas.pt/.

sábado, 19 de abril de 2008

A AMEAÇA GLOBAL - O IMPÉRIO EM CHEQUE

A Guerra do Iraque em crónicas - De Agosto 2002 a Março 2008

Teve lugar no Instituto de Estudos Superiores Militares em Pedrouços, perante um anfiteatro repleto, no passado dia 1 de Abril, o lançamento do livro em título, da autoria do nosso associado nº3053, General José Alberto Loureiro dos Santos.

Natural de Vilela do Douro - Paços, concelho de Sabrosa, possuidor de um vasto currículo académico e profissional, o General Loureiro dos Santos foi, como é bom recordar, Chefe do Estado Maior do Exército, Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e Ministro da Defesa Nacional dos IV e V Governos Constitucionais.

É conferencista e autor de obras e de artigos na imprensa especializada em assuntos sobre Estratégia, Segurança e Defesa, tendo publicado vários títulos na Editora Europa-América, dos quais este, que agora se assinala, é o mais recente.

A apresentação do livro esteve a cargo do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Luís Amado, e do Senhor Tenente-General Abel Cabral Couto (outro ilustre transmontano), os quais teceram louváveis considerações e notáveis elogios à obra agora dada à estampa.

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, especialmente convidada para esta dignificante cerimónia, agradece a atenção e congratula-se com a profícua actividade literária do Senhor General Loureiro dos Santos, esperando sempre por futuros desenvolvimentos nesta temática que muito providencia pela abertura de novos horizontes no devir da Pátria que muito amamos.

No exemplar deste livro que, apartir de agora, passará a fazer parte do acervo da biblioteca da CTMAD, encontra-se a seguinte dedicatória, que o autor teve a amabilidade de escrever: "Para a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, com a satisfação de pertencer a uma associação que tão bem representa os transmontanos e alto durienses" 01.04.08, Ass. Loureiro dos Santos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Novo livro de Bento da Cruz

"Prolegómenos", a última obra de Bento da Cruz, vai ser apresentada ao público no próximo dia 8 de Maio, pelas 18 horas, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Pelas 20:15 horas, haverá, na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, um jantar de confraternização para o qual se pede aos interessados que se inscrevam até ao dia 5 de Maio , pelo telefone 217939311.

O livro será apresentado por Francisco José Viegas, figura prestigiada da cultura portuguesa e muito ligado à Província de trás-os-Montes e Alto Douro.

domingo, 13 de abril de 2008

Editorial - Homenageemos Trindade Coelho

Comemora-se este ano o primeiro centenário da morte de José Francisco de Trindade Coelho, um nosso conterrâneo nascido em Mogadouro no ano de 1861.

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro tem o dever de honrar a memória deste ilustre transmontano, não só pelo facto de se tratar de um escritor português de nomeada, mas também porque foi um dos fundadores da nossa Instituição, tendo nela desempenhado os cargos de Presidente da Assembleia Geral e Director dos Anais.

A sua dedicação à nossa Casa está indelevelmente presente na nossa sede, pois que o mobiliário de escritório nobre que faz parte da nossa actual Biblioteca foi objecto de uma doação sua.

Vindo ao encontro da vontade que já tínhamos de prestar homenagem a esta grande figura de escritor, pedagogo, jornalista, jurista e político, a Câmara Municipal de Mogadouro lembrou-se, em boa hora, de nos propor a celebração de um protocolo que nos permitirá, em conjunto com ela, prestar a justa homenagem que desejamos seja grandiosa para honrar condignamente a memória deste ilustre Mogadourense. Esta será, aliás, a segunda grande participação da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro num processo com tão justo e digno objectivo, porquanto a primeira decorreu no ano de 1947, quando uma Delegação nossa participou em Mogadouro numa sessão magna de homenagem à memória e obra desse grande escritor, da qual viria a resultar a edificação do monumento ao mesmo que ainda hoje sobressai na sua terra.

Quando o grande cientista e político Benjamin Franklin afirmava que de todas as dívidas a mais sagrada é o reconhecimento, ele tinha razão, porque reconhecer e agradecer a grandeza e generosidade de um espírito criador e nobre como o de Trindade Coelho engrandece quem o faz e constitui um exemplo para os outros, em particular para os mais novos, ensinando-os a manter viva a memória dos grandes homens do nosso país, porque eles constituem a alma de um povo e o sangue oxigenado de uma nação.

O autor de «Os meus amores» e «Outros Amores» , para além do virtuosismo da boa escrita, patenteia na sua vida e obra o amor à terra que o viu nascer. Ainda que tenha circulado por várias regiões por força da sua condição de procurador régio, decidiu escrever com base em cenários da sua terra natal, reflectindo nos diálogos a própria linguagem do seu povo.

Bem-haja pelo legado e pelo exemplo que nos deixou.

sábado, 12 de abril de 2008

Universidade da Moldávia homenageia professor unversitário português

A Universitatea Pedagogica de Stat da República da Moldávia distinguiu recentemente o Prof. Doutor José Alcino Rodrigues Carvalho com o título de Doutor Honoris Causa por aquela Universidade.

A cerimónia da atribuição do título teve lugar em Chisinau, capital da Moldávia, em reunião pública do Senado da Universidade, no passado dia 25 de Fevereiro.

A distinção foi atribuída em reconhecimento do mérito da acção do Prof. Rodrigues Carvalho no âmbito da cooperação internacional universitária, bem como do apoio à integração da Moldávia na área Europeia de Ensino Superior e à promoção dos objectivos de Bolonha naquele país.

O homenageado, associado da CTMAD, é natural de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços; frequentou o ensino secundário primeiro em Chaves e depois em Vila Real; licenciou-se em Ciências Geológicas na Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências) em 1967, e doutorou-se na Universidade de Londres (Imperial College of Science Technology) em 1981; é professor da Universidade Nova de Lisboa, onde exerce actividade desde 1975;

Nos últimos três anos e meio o Prof. Rodrigues Carvalho integrou um grupo de trabalho onde se incluíam representantes de várias universidades da República da Moldávia e da União Europeia bem como do Ministério da Educação e Juventude da Moldávia que se dedicou ao estudo de aspectos da integração da Moldávia na Área Europeia do Ensino Superior e no sistema de Bolonha.

Mestre Nadir Afonso

Estava agendada pela Direcção, uma homenagem a Nadir Afonso que iria ser levada a cabo muito brevemente.


Quando entrámos em contacto com o Mestre para acerto de datas e outros pormenores, fomos informados pelo próprio que um complicado problema de saúde o impossibilitava, para já, de participar nessa cerimónia.


Desejamos a Nadir Afonso um rápido restabelecimento, que lhe permita em breve o regresso ao trabalho das formas e da sua geometria e para podermos levar a cabo a homenagem que muito desejamos concretizar e que o Mestre merece.


A Direcção

terça-feira, 8 de abril de 2008

Pecar e comer

O padre Manuel Bernardes (1644-1710) foi um péssimo amigo da cozinha e dos cozinheiros. Este ilustre homem da Igreja, e líder de opinião naquele tempo, escreveu que "O demónio é cozinheiro; se vê que não gostamos do pecado guisado de um modo, tantos temperinhos lhe busca, até que nos abre a vontade, e se não levamos todo, contenta-se com que provemos algum bocado." E continua afirmando que "comer saboreando-se e gozando os manjares não é de homem, mas de animais imundos que a toda a pressa e com toda a aplicação grunhem, e fossam, e se atolam no lameiro." Mas vai mais longe afirmando que o taberneiro que baptize o vinho os seus pecados lhe serão perdoados. Claro que hoje quem misturar água ao vinho poderá ir preso, e justamente.

Já lá vai o tempo em que alguns prazeres eram associados ao pecado, e os artífices dessas Artes, os principais culpados. Apetece dizer hoje, Benditos cozinheiros, ou Benditos provocadores do pecado da Gula!

Estas afirmações devem-se ao início do século XVIII, quando apenas estava ainda publicado um só livro de receitas, e do cozinheiro da corte. Ainda não havia restaurantes em Portugal, com as características de hoje.

Dispomos de relatos curiosos de estrangeiros que visitaram Portugal nos finais do século XVIII e princípios do século XIX, depois de já conhecerem outros países, e que nos relatam o que seria a alimentação e os estabelecimentos de alimentação ao público mais conhecidos, que eram as hospedarias.

J. B. F. Carrère, em 1796 escreveu o seguinte: "Chega a hora da refeição: uma toalha com mais de oito dias de serviço, um garfo de ferro ferrugento e gorduroso, pratos rachados ou esbeiçados, sopa aguada, guisado a tresandar a fumo e com molho só temperado com sal, e um assado duro, seco e queimado, vão sendo postos na mesa que está tão suja como o chão em que assenta.

Em Lisboa há muitas hospedarias, mas nenhuma é boa. Numas as refeições são em mesa redonda e a preço fixo; noutras come-se o que se pedir, pagando-se conforme os pratos escolhidos.

...As hospedarias portuguesas são as piores, as melhores são dirigidas por estrangeiros."

Outros viajantes escreveram sobre Portugal naquele tempo como Dabrymple, Costigan, Murphy, Gorani e especialmente William Beckford que nos deixou as suas memórias em livro nos dois períodos que viveu entre nós.

Mas estamos a entrar no século XIX onde as referências culinárias, o aparecimento dos primeiros restaurantes, a publicação de vários livros de receitas, a referência à própria gastronomia na literatura portuguesa, vão alterar as mentalidades da época.

As grandes informações e modas continuam a chegar de França, onde se inicia a publicação de crítica gastronómica. Basta lembrar Grimod de la Reynière, com os seus Almanaques, e que ainda publica o Manual dos Anfitriões em 1808, onde refere o papel importante dos Chefes de Cozinha. No entanto alerta que, um grande Chefe se estiver ao serviço de um grande senhor mas que não fale a sua linguagem, e não exija dele em permanência, em breve também o grande chefe entrará em decadência. É o conceito de grande Chefe executor e capaz de por em prática os anseios dos outros, do seu senhor, do seu mestre ou patrão. Claro que Câreme saiu deste grupo, criando o seu próprio estilo.

Mas regressemos a Portugal nos inícios do século XX.

Carlos Bento da Maia publica em 1904 o seu Tratado Completo de Cozinha no qual se lamenta do mau ensino profissional comparando com França "onde os discípulos, assentados nas suas bancadas, assistem às prelecções de um cozinheiro, que, tendo por trás da sua mesa um fogão, descreve o modo de executar, e executa ao mesmo tempo, os trabalhos relativos às iguarias que deve preparar durante aquela lição, iguarias cujos nomes estão indicados numa tabuleta do mostrador da aula."

Em contrapartida queixa-se que "No nosso país, infelizmente, estão muito atrasados os ensinos profissionais e a maior parte dos directores de asilos têm o mau senso de ter serviçais para as educandas; de modo que em vez de criarem raparigas aptas para ganhar facilmente a vida com honestidade, criam pseudo - senhoras pretensiosas com desprezo pelos trabalhos manuais e tendo por futuro a miséria ou a vadiagem."

Já naquele tempo a reconhecer que a qualidade da formação depende da qualidade dos formadores!

Até o Diário de Notícias, daquele tempo, apoiava este conceito que desenvolveu no seu editorial de 4 de Outubro de 1903. Lamentavelmente perdemos, no actual Diário de Notícias, agora a página de Boa Vida a que já estávamos habituados... e tantos chefes encontraram espaço! Hoje que tanto se publica sobre a culinária e outros temas ligados à alimentação tínhamos uma referência diária. Outro capítulo em que o futebol ficou a ganhar...!

Comer fora passou a ser uma necessidade e uma obrigatoriedade, pelo que também um prazer. Por isso também a vontade de maior informação.


© Virgílio Gomes
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