sexta-feira, 30 de maio de 2008

Jantar de Abril

Decorreu no passado dia 23 de Abril, na nossa sede, o tradicional jantar comemorativo do 25 de Abril.

Com a Casa cheia de associados e amigos, o clima foi de festa e, nas mesas, as conversas giravam sobre as lembranças de há 34 anos e não só.

Embora a organização tivesse providenciado música de fundo para animar a sessão, tal não foi necessário nem tampouco possível. O bruá sobrepôs-se, e de que maneira, e ele próprio se transformou em som ambiente.

No final do repasto, Jorge Valadares, presidente da Direcção, relembrou as vicissitudes do período antes do 25 de Abril de 1974 e do que ele, dirigente estudantil à época, passou pelo simples facto de estar do lado da liberdade.

A cerimónia terminou com as palavras do Capitão de Abril, Borges Correia, hoje coronel, que em representação da Associação 25 de Abril veio até à nossa Casa dar-nos conhecimento da conjuntura político-militar que levou ao movimento, de onde estava naquele dia e dos acontecimentos que presenciou e nos quais participou.

Terminado o acto oficial, os "desencontrados nas mesas" reuniram-se no corredor e salas da sede e continuaram o fraterno convívio até às primeiras horas da madrugada seguinte.

A CTMAD e a Associação 25 de Abril vão estudar formas de colaboração e cooperação para concretizar outras actividades que possam interessar aos respectivos associados.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

CTMAD NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

A Direcção está em condições de informar que na próxima segunda-feira, dia 2 de Junho, pelas 21 horas, a nossa Casa estará no pavilhão da APEL, ao cimo do Parque Eduardo VII a promover a cultura da nossa região com especial incidência nos seus escritores e suas obras.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Defender o Douro

A Estrutura de Missão para a Região Demarcada do Douro, criada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 116/2006, tem como finalidade dinamizar acções para o desenvolvimento integrado da Região do Douro e promover a articulação entre as entidades da administração central e local com competências na região, bem como estimular a participação e a iniciativa da sociedade civil.

Agregando mais de quatro dezenas de organismos entre institutos, agências, associações, parques, museus, fundações e outros, a Missão para levar por diante os seus objectivos deverá dinamizar acções articuladas com agentes regionais, coordenar programas e projectos, dinamizar parcerias, mais um vasto conjunto de acções, tudo na perspectiva dos interesse do Douro e da sua região.

Por onde passa necessariamente o ordenamento do território e a importância que dentro dele assumem os Planos Directores Municipais.

Foi precisamente para fazer o ponto da situação dos PDM's e avaliar um conjunto de programas de regeneração e reabilitação urbanas que se reuniram no Peso da Régua mais de setenta responsáveis entre técnicos e autarcas durienses.

Ricardo Magalhães, responsável pela Estrutura, chamou a atenção para o atraso na elaboração dos Planos Directores e apelou à sua agilização em nome da eficácia e do rigor.

Também os projectos deverão ser elaborados e apresentados de forma sustentada com conhecimento prévio dos mecanismos e financiamentos disponíveis devendo contar sempre com a participação empenhada dos cidadãos já que é para eles, para os seus interesses, que aqueles são feitos.

"Quem nos visita vem conhecer a paisagem vinhateira, provar os nossos vinhos; mas quer também, acentuou Ricardo Magalhães, conhecer a nossa história. A oferta turística passa também pelas cidades e vilas durienses onde os turistas são acolhidos."

quarta-feira, 21 de maio de 2008

OUBREIROS DE LA LHENGUA MIRANDESA NE L CNC

Ne l die 22 de Abril, houbo ua cousa mui amportante pa l mirandês. Ua seçon, chamada Jornal Falado, ne l Centro Nacional de Cultura (CNC) an Lisboua, subre l tema "A defesa e preservação da língua mirandesa". Fúrun relhembrados alguns de ls prinipales oubreiros de la lhéngua mirandesa.

Na mesa partecipórun, cumo repersentantes de L Centro Nacional de Cultura, l Dr. Lourenço de Almeida, que a meio de la seçon fui sustituido pul Dr. Guilherme de Oliveira Martins i cuomo repersentantes de la lhéngua mirandesa alguns de ls que mais ténen cuntribuido pa l sou zambolbimiento, nomeadamente l Dr. Júlio Meirinhos, la Dr.ª Manuela Barros Ferreira, l Dr. Amadeu Ferreira, l Dr. Carlos Ferreira i l Dr. Duarte Martins.

Fui ua amportante jornada pa la lhéngua mirandesa, adonde fúrun tratados dibersos temas, tales cuomo la lei, la cumbençon, l ansino i la situaçon atual de l mirandés.

De l muito que fui falado çtaco l seguinte:

- Júlio Meirinhos, fizo ua çcriçon stórica de l grande trabalho que fui feito na Cámara de Miranda para porparar la passaige de l mirandés a segunda lhéngua ouficial an Pertual i para tornar possible que fura ansinado nas scuolas mirandesas.

- Drª Manuela Barros Ferreira referiu que fui defícel cumbancer a muitos colegas de que l mirandés nun era un dialeto, mas si ua lhéngua i splicou las çfrenças priecipales antre ua lhéngua i un dialecto.

- Dr Amadeu Ferreira, çtaco ua cousa mui cunsoladora pa ls zenízienses, de que persentemente Zenízio era l'aldé que tenie mais scritores de mirandés por metro quadrado .

- Carlos Ferreira defendiu de forma mui antusiasta que l purmeiro Rei de Pertual D Afonso Henriques, solo podie falar mirandés, pus sue mai i la sue família toda falaba lhionés i que l mirandés yá se falaba antes de la criaçon de Pertual.

- Duarte Martins focou que tenemos benido a ganhar muitos amigos de la lhéngua mirandesa i que l ansino passa por grandes deficuldades para cunta cula adeson de cada beç mais alunos, inda que las aldés mirandesas se stéian sbaziar-se de giente.

Amadeu Ferreira, agradeciu la preséncia de l Presidente de l Centro Nacional de Cultura, Dr. Guilherme de Oliveira Martins i l cuntributo que ten dado pa la dibulgaçon de l mirandés, al poner testos an mirandés ne l portal de l Centro Nacional de Cultura.

Na fin, l Presidente de l Centro Nacional de Cultura, dr. Guilherme de Oliveira Martins, referiu que relhambrar ls oubreiros de la lhéngua mirandesa era mui amportante pa la cultura pertuesa, de que faç parte antegrante la lhéngua i la cultura mirandesas.

Rota do azeite

Decorreu recentemente nas instalações da CTMAD uma reunião entre directores desta e responsáveis da "Rota do Azeite de Trás-os-Montes"

É intenção dos primeiros, organizar a "1ª Gala da Rota do Azeite" no Pavilhão Atlântico em Lisboa, no próximo dia 11 de Outubro.

Sabendo do papel que a nossa Casa tem enquanto parceiro divulgador e catalizador de anseios e vontades trasmontano-durienses, pretendem aqueles responsáveis que prestemos a nossa colaboração na propagação do evento, na captação de expositores, na venda de bilhetes e que lhes facultemos contactos em França e na Suiça para, aproveitando o EURO 2008, organizarem um grande evento de promoção em Genéve.

Porque se trata de um acontecimento que serve os interesses das populações da nossa região, a CTMAD associa-se de bom grado a esta iniciativa e convida o leitor a visitar www.rotadoazeite-tm.com .

terça-feira, 20 de maio de 2008

DECLARAÇÃO INTERNACIONAL DOS VINHEDOS DO PATRIMÓNIO MUNDIAL

As paisagens de vinhedos representam um património único que testemunha a relação cultural tecida pelo Homem ao longo de séculos com o meio ambiente físico, económico e social.

Depois de 1992, o Comité internacional do património mundial da UNESCO elegeu, ao abrigo das paisagens culturais vivas, os vinhedos de entre as mais significativas. A comunidade internacional reconhece ao mesmo tempo a unicidade cultural destes territórios e a diversidade das expressões das civilizações da vinha e do vinho.

«Os Vinhedos do património mundial», formados por territórios de excepção, constituem-se numa rede de cooperação mútua de forma a garantir a autenticidade e a continuidade destes valores inscritos na Lista de património mundial da UNESCO. Mais que um reconhecimento, esta inscrição representa um compromisso para proteger de forma eficaz os lugares e os monumentos notáveis, bem como incentivar os agentes públicos e privados à excelência nas políticas de desenvolvimento destes territórios.

A carta internacional de Fontevraud (França) criada por iniciativa da InterLoire (Interprofession dos vinhos do Vale de Loire) e da Missão Vale de Loire, assinada em Dezembro de 2003 pelos agentes nacionais, regionais e internacionais do Vale de Loire, constitui a primeira etapa da criação desta rede internacional de excelência.

Parceiros desde Julho de 2005, por iniciativa do sítio Vale de Loire (França), sete sítios UNESCO mobilizaram os fundos europeus INTERREG IIIC para elaborar os princípios orientadores de desenvolvimento sustentável dos seus territórios bem como as regras para o funcionamento da rede.

Os sítios parceiros, fundadores desta rede internacional são:

- O Vale de Loire (França)

- O antigo Órgão jurisdicional de Saint-Émilion (França)

- O Vale do Douro (Portugal)

- O Alto Vale de Rhin-moyen (Alemanha)

- A Região Vitícola histórica de Tokaj (Hungria)

- O Parque Nacional de Cinque Terre (Itália) e

- Fertö - Neusiedler See (Áustria)

Fonte:CCDR-N/EMRDD

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Prolegómenos - Crónicas do Barroso

por António Chaves

Apresentações:
Lisboa: Teatro Nacional Dª Maria II – 27 de Maio às 18 h – Jantar na Casa de Trás-os-Montes às 20 h
Vila Real: Grémio Liter. Vilarealense – Bibliot. Munic.ipal Dr. Júlio Teixeira – 16 de Maio às 21 h
Boticas: Biblioteca da Câmara Municipal – 23 de Maio às 18:30 h
Montalegre: Feira do livro, 8 de Junho


Um Olhar sobre a Terra

Miguel Torga deixou-nos, há mais de uma década, mas não sem antes nos mostrar como se olha para o mapa da nossa origem: «enxutos (os olhos) e juízo assente , eu estendo o mapa concreto de Trás-os-Montes no soalho desta sala e que cada um de nós, com os pés enterrados no húmus da sua aldeia o povoe de naturalidade…»

Bento da Cruz responde, de pronto, à chamada: «Lá na minha aldeia, a terra estava dividida em leiras. Cada um trabalhava a sua. Pincipiei por sachar a minha como via fazer a todos os outros. Fui aquilo que hoje se chama um trabalhador infantil. Mas então ninguém falava nisso. Quando troquei a enxada pela caneta, a minha leira passou a ser o Barroso».

E ainda: «Para mim, Barroso é um Paraíso. O único ou dos poucos que restam à face da terra. Tudo no Barroso: paisagem, sol, luz, estrelas, flores, aves, bichos, gentes mantêm uma pureza e uma frescura edénicas. Estivesse eu naquele estado de graça do nosso pai Adão, antes da trincadela na maçã, e decerto arrancaria à minha leira verdadeiros tesoiros».

Óscar Lopes confessa-nos ao prefaciar um desses tesoiros: «Antes de ler este livro, a que só gostaria de mudar o título (Planalto de Gostofrio), eu tinha como melhor romance português da infância o CINCO REIS DE GENTE, de Aquilino Ribeiro».

Regressamos a Miguel Torga. «O universal é o local sem paredes. É o autêntico que pode ser visto de todos os lados, e em todos os lados está certo como a verdade. Ora Trás-os-Montes é essa realidade sem muros, esse torrão aberto aos olhos do mundo, cioso de lhe pertencer e de o servir. Palmo de chão de uma pátria e húmus omnipresente».

Urbano Tavares Rodrigues acentua o registo: «Eis como um livro (Contos de Gostofrio e Lamalonga) tão voluntariamente localizado, fruto e expressão da experiência tão aderente de simpatia que permitiu a Bento da Cruz erguer a sua galeria de homens e bichos, e às vezes de homens bichos, assim alcança a universalidade». Também Méndez Ferrin se refere em A LOBA,a «um romance destinado a prevalecer....de sabores porventura esquecidos que nos libertam da escolaridade e do regulamento e nos fazem renascer, no coração, um português riquíssimo em vozes e expressões idiomáticas que julgávamos ter perdido e que aos galegos nos obriga ao re-encontro com nós mesmos».

E agora, já marcados os pontos de encontro e de consagração, voltemos a dar a palavra a Miguel Torga: «A faixa dos carreiros escusava bem de ser tão comprida; mas como andam de terra em terra, vá lá, desculpa-se a presunção. E pronto! A dobadoira roda que é uma maravilha. O novelo começa a crescer, crescer, e temo-lo daqui a pouco do tamanho do coração.

- Mas esperem aí! De onde é o amigo? De Freixo? Entre! Entre na roda e colha amêndoas…Queria ficar de fora, o grande maroto! E nós, santinho? De pinhãocelo?! Vamos! Aparelhe os machos e ferre-lhes com a carga em cima. Depressa! Pena não haver ninguém do Pocinho…Há?! Ó criatura de Deus, salte para dentro do rabelo e agarre-se à espadela! Mas cuidado! O cachão da Valeira é traiçoeiro…Apegue-se a S. Salvador do Mundo!

Perfeito! Temos o nosso reino animado. Os rios com barcos e barqueiros, as serras com rebanhos e zagais, os lameiros com charruas e lavradores…E podemos olhá-lo orgulhosos! Nenhum outro mais belo, castiço e aberto, tão capazmente servido pelos seus filhos. Terra viril e homens viris. Nem a sua beleza tem maneirismo, nem o seu catecismo é arcaico, nem a fundura dos seus horizontes significa perdição no vago, nem os sentimentos dos habitantes são mesquinhas fibrilações da alma..……O destino quis que houvesse no topo da pequena leira lusíada uma costeira onde tudo tivesse carácter e dignidade».

Lá estaremos todos, unidos no mesmo sentimento!

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