terça-feira, 3 de junho de 2008

"MULHER DESAPARECIDA A SUL" - novo livro de Modesto Navarro

LANÇAMENTO NA CTMAD DIA 5 DE JUNHO ÀS 18.30H
APRESENTAÇÃO PELO ESCRITOR DOMINGOS LOBO


Com a chancela Edições Cosmos e primeiro livro da colecção Nova Biblioteca, acaba de sair mais um livro do nosso associado Modesto Navarro.

Desta feita brinda-nos o autor com o romance "Mulher Desaparecida a Sul".

Sem pretender tirar a oportunidade ao nosso leitor de no dia do lançamento colocar as suas perguntas a Modesto Navarro, o Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro entendeu por algumas questões ao autor.

NTMAD - Contos Transmontanos, Morte no Douro, Histórias do Nordeste, Lá em Cima na Montanha e Morte em Vila Flor são, entre outros, livros seus.

Porquê esta fuga para Sul?

MN - Trata-se realmente duma fuga mas também duma libertação. É uma história de amor, de desencanto, de angústias que se desenrolam entre o nordeste e o sul.

NTMAD - E há gente da nossa que participa na narrativa?

MN - Há um trasmontano, como um de nós, que perplexo pelas mudanças que passam diante de si, sonha com uma vida melhor e mais digna.

NTMAD - E cumpre o sonho?

MN - Faz depender esse objectivo do reencontro com uma mulher que está sob ameaça no mundo familiar ao qual pretende sobreviver e perante o qual pretende afirmar-se.

NTMAD - Quer dizer que a história não é conclusiva?

MN - Quer dizer que o leitor do livro é meu cúmplice. A ele caberá a resposta a essa pergunta.

domingo, 1 de junho de 2008

Mesa Redonda: "Trás-os-Montes: Autores e Cultura" no Pavilhão da APEL

2 JUNHO 2008 21.00 Âncora Editora "TRÁS-OS-MONTES: Autores e Cultura" Mesa Redonda com Amadeu Ferreira, António Chaves, Bento da Cruz, Ernesto Rodrigues, Rogério Rodrigues e Vítor Barros. Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.

sábado, 31 de maio de 2008

Em viagem

Acabei de chegar de uma estadia no Brasil que durou um mês. Quando se está num local de férias tanto tempo, e chovendo quase diariamente, tem que se utilizar bem a imaginação para esquecer essa contrariedade, e desta vez ainda o dengue que assusta.

Uma das actividades que me despertam a curiosidade, mesmo sem chuva, é a descoberta de novos restaurantes. Conhecerem-nos bem nos locais habituais é uma grande vantagem. Um dos responsáveis do hotel que muito frequento facilita-me a tarefa pois tem imediatamente uma lista dos restaurantes novos, e de outros que se fizeram notar desde a minha anterior estadia.

Fortaleza é uma cidade de cresceu muito e em especial virada para o Turismo. Há pois uma grande efervescência na abertura e encerramento de restaurantes.

Ora, esta introdução para explicar que um restaurante, a que me referi nestas páginas em Janeiro de 2007, encerrou. Pois esse restaurante, com ementa de características francesas, servia um famoso Bacalhau à Transmontana. Por essa particularidade lhe dediquei uma crónica. Lamentavelmente encerrou. E lá se foi o único prato de comida transmontana que se servia em Fortaleza. Bem, eu frequentava esse restaurante, “Café Matisse”, não pelo bacalhau mas pelo conjunto da sua prestação. Possivelmente o bacalhau terá influenciado as primeiras visitas.

Há outros restaurantes portugueses aos quais também já me referi noutras oportunidades. Insisto em comentar que não concordo muito com as experiências de adaptar as receitas ao gosto de cada região. Prefiro que se utilize outra designação, mas as receitas tradicionais não serem alteradas. O ideal seria conhecer bem as mercadorias e só em função delas serem escolhidas as receitas. Hoje em dia as tarefas estão facilitadas pela grande diversidade de abastecimentos e também que muitos restaurantes utilizam uma forma descritiva das receitas, nos menus. Faltando-me o Bacalhau à Transmontana restou-me para matar a saudade das minhas origens, além dos vinhos e azeites em supermercados, encontrando castanhas de Sortes e água Pedras Salgadas.

A forma de alterar uma receita tradicional não é pecado. Para mim o errado é alterar a receitar mas mantendo-lhe o nome. Claro que eu sou fervoroso adepto da cozinha evolutiva. Ninguém admite comer hoje como se comia há cem anos!

Como deve então evoluir uma receita? Antigamente os processos eram mais lentos. Hoje em dia com a velocidade da informação, e também a facilidade de transporte dos produtos culinários, tudo é mais rápido. Uma coisa é a evolução de uma receita e outra coisa é a transformação da mesma.

Vejamos um exemplo ainda desta experiência brasileira. Num restaurante português e com reputação elevada, pedi Arroz de Pato à Antiga. Chega uma dose abundante, que deu para três, mas o arroz parecia um gratinado afrancesado pois a quantidade de queijo que o cobria nem deixava imaginar o que estava por baixo. Depois o arroz estava muito ensopado em gordura. Segundo informação local este prato é um dos preferidos da clientela.

Tenho a sorte de próximo de minha casa em Lisboa frequentar um restaurante que serve o meu melhor “Arroz de Pato”. O equilíbrio de cozedura dos ingredientes, o arroz solto e gratinado no tempo certo, possivelmente balizam os meus sentimentos quando como outro arroz. Reafirmo que não vejo nenhum inconveniente em transformar uma receita. Isto acontecendo, então mudem-lhe o nome. Os portugueses foram os precursores da Cozinha de Fusão. Quando chegámos à Índia ou ao Brasil, adaptámos a cozinha aos novos produtos. E depois também trouxemos novos produtos para o continente e outras técnicas culinárias que ajudaram a transformar o nosso receituário. A Cozinha de Fusão não é tanto uma combinação e uma mistura de ingredientes e técnicas culinárias mas um encontro de culturas que criam pratos verdadeiramente novos. A mistura de culturas traduz-se de tempos a tempos em criações novas e exaltantes receitas.

E este aspecto prende-se com outra questão, que me é querida, que é a falta de educação do gosto das novas gerações.

Repito que tive a sorte de ser educado na província, e que era obrigado a comer em casa e nas casas das famílias de meu Pai e minha Mãe. Este tipo de habituação determinou a forma como ainda hoje aprecio a comida. Há referências que não se esquecem e outras que ficam adormecidas até que somos confrontados com as comparações.

Naquele tempo toda a comida era boa e por educação tínhamos que comer de tudo. Poderia ser simples, mas era consistente. E tudo tinha o seu sabor. E reconhecíamos os alimentos pelas estações do ano.

José Francisco Trindade Coelho

(Mogadouro, 18/06/1861-Lisboa, 9/08/1908)

Em nome da necessidade de divulgar, promover, estudar e publicitar um escritor de importância nacional e simultaneamente, ter em conta que a democratização cultural, a equidade, o acesso a bens culturais, a formação e a fidelização de públicos são desideratos no desenvolvimento da cidadania plena, a CTMAD e a Câmara Municipal de Mogadouro estão em vias de formalizar um protocolo de parceria no âmbito das comemorações do centenário da morte de Trindade Coelho.

Deste documento permitimo-nos destacar da sua introdução as seguintes palavras que, de resto, servem de matriz ao seu clausulado:

Nas comemorações do centenário da morte do escritor Trindade Coelho é de elementar justiça recordar a vida e obra de um dos mais ilustres Mogadourenses. Não só a sua carreira literária, mas também a sua carreira como causídico e homem da imprensa esclarecida.

Na segunda metade do século XIX, Trindade Coelho fazia parte de uma geração oitocentista, da qual se incluem nomes como Camilo Castelo Branco, António Corrêa de Oliveira, Antero de Quental, que inconformada com o Estado da Nação sempre esteve à frente da sua época na demanda da educação das populações, na sua instrução cultural, na crítica política, na defesa dos valores do progresso, da ética moral e da responsabilidade social de um país analfabeto, retrógrado e excessivamente fechado às grandes mudanças europeias da época.

Trindade Coelho, tal como outros pedagogos, dos quais se destaca o seu contemporâneo João de Deus, sempre quis esclarecer o povo, quer pelos seus contos literários rústicos, como através das suas brilhantes intervenções públicas, nos fóruns representativos ou nos jornais e revistas, de que foi fundador.

Lembrar a memória deste Homem servirá para amortizar um pouco a grande dívida de gratidão que para com ele temos.


A Direcção da CTMAD

Curso Transfonteiriço de Etnobotânica

Vimioso, Miranda do Douro, Fornillos de Fermoselle (Zamora), Mogadouro
22 a 25 de Maio de 2008


A estreita ligação que existe entre o homem e as plantas é antiga, e nos últimos anos tem-se assistido ao renascer do entusiasmo por um recurso natural que desde sempre acompanhou o homem nas suas manifestações culturais e religiosas, na sua alimentação, na procura de alívio para doenças, na construção de abrigos, etc.

Foi muitas vezes da tentativa de dar resposta à necessidade que surgiu o saber fazer aliado aos recursos vegetais. A Etnobotânica pode ser entendida como a ciência que estuda as inter-relações entre o homem e as plantas, e o modo como as populações dão uso aos recursos vegetais. Resulta de uma grande multidisciplinaridade, mas assenta fundamentalmente nas ciências sociais e na botânica, na tentativa de descrever a relação que une o homem com o ecossistema vegetal. As potencialidades e aplicações de várias espécies passam por domínios medicinais, aromáticos, condimentares, alimentares, e o contributo dos conhecimentos etnobotânicos é de grande utilidade para o conhecimento científico moderno, contribuindo também para o desenvolvimento local através da valorização dos recursos endógenos e da conservação da natureza e da biodiversidade.

Com este curso pretende-se dar uma panorâmica daquilo que é a investigação e pesquisa etnobotânica em Portugal e em Espanha, expressão das várias dimensões que compreende esta área do conhecimento.

Demais informações e ficha de inscrição em http://www.aldeia.org/ .

A PRIMEIRA BARRAGEM DO ALTO TÂMEGA

Por ordem da entrada do rio Tâmega em Portugal, a primeira barragem começa a ser construída a partir do concelho de Chaves, concretamente, na denominada praia de Vidago, junto à estrada n.º 311 que liga Boticas a esta vila termal.

A grande albufeira vai estender-se pelos concelhos de Chaves, Boticas, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, terminando do lado esquerdo na aldeia de Parada de Monteiros e no lado direito em Padroselos. Está previsto começarem as obras em 2010, podendo terminar em 2015.

O Presidente da AMAT (Associação de Municípios do Alto Tâmega), Eng.º Fernando Campos, manifestou o seu agrado pelo lançamento do concurso público.

Será uma obra grandiosa, com uma capacidade de escorregamento prevista em 1850 metros cúbicos/segundo e uma capacidade útil de 60 milhões de metros cúbicos; enquanto a capacidade total atingirá 134 milhões de metros cúbicos. (Estes elementos são, ainda, provisórios.)

De uma coisa já todos temos a certeza. Nada ficará como dantes numa região altamente carenciada, social e economicamente, mas das mais belas do país pela riqueza das suas paisagens e variedade de espécies vegetais naturais existentes nas margens do rio, sobretudo, junto a Fiães do Tâmega e Mosteirão, do concelho de Boticas.

O dia um de Abril de 2008 ficará marcado na História desta região e do país como tendo sido a coroação do trabalho do Primeiro Ministro Eng.ºJosé Sócrates, também transmontano, e dos autarcas que ao longo de anos se têm batido pelo progresso das nossas pobres gentes que, ao longo dos tempos, têm morado paredes meias com os bichos, a miséria e a marginalização. Esperemos que, dentro de pouco tempo, se ouçam as grandes máquinas a trabalhar e as populações a beneficiarem da qualidade de vida a que têm direito. O turismo aquático e de montanha vai ser um grande pólo de atracção. Um hotel de cinco estrelas, Vidago Palace Hotel, com um campo de golfe de dezoito buracos, vai ser inaugurado brevemente. Pedras Salgadas são vizinhas próximas. Muito mais virá por acréscimo. Surgiu uma nova luz ao fundo do túnel.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

EDITORIAL - Vamos reactivar o mais possível o Conselho Regional

Quando nos propusemos dirigir os destinos da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, decidimos não nos pautar por promessas mas por grandes objectivos gerais que nos conduziriam a boas linhas orientadoras de actuação. Estamos fartos de promessas que não se cumprem. Muitas promessas têm sido feitas, depois constatada a impossibilidade de serem cumpridas e abandonadas. Ao contrário, os grandes objectivos, ideais para os quais se pretende caminhar, vão-se operacionalizando e vão-se sempre perseguindo sem nunca os esquecer, controlando a «governança» de que dependem, ou seja os significados que controlam o esforço a ser desenvolvido para os alcançar.

Ora um desses grandes objectivos foi reactivar o mais possível o Conselho Regional. Este importante Órgão já conheceu períodos muito activos e ricos e outros em que ou não existia ou era como se não existisse.

O Conselho Regional é, de acordo com o Capítulo VIII, Artº 26º dos Estatutos da nossa instituição, um órgão consultivo da Direcção constituído por um a três representantes de cada um dos municípios definidos estatutariamente como pertencendo à área geográfica de Trás-os-Montes e Alto Douro e que são os seguintes: Alfândega da Fé, Alijó, Armamar, Boticas, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Chaves, Figueira de Castelo Rodrigo, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Macedo de Cavaleiros, Meda, Mesão Frio, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Mondim de Basto, Montalegre, Murça, Peso da Régua, Resende, Ribeira de Pena, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Valpaços, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, Vimioso e Vinhais.

Reputamos este Órgão de muito importante e a actual Direcção gostaria de facto de dispor da sua existência como órgão activo e eficaz para o poder consultar antes de ir tomando decisões importantes nas «bifurcações» do devir por onde vai passando a nossa Casa ao longo da seta do tempo.

Mas não só. É que, de acordo com o mesmo documento, ao Conselho Regional também compete tomar iniciativas que digam respeito ao desenvolvimento regional e concelhio, que deverão ser apresentadas à Direcção de modo a que esta possa avaliá-las e fazer o esforço de as levar a efeito com a maior eficácia possível. O próprio Presidente do Conselho Regional poderá ser um excelente porta-voz junto da Direcção, já que estatutariamente tem direito a participar nas reuniões da mesma.

Apelo, pois, a todos os leitores que nos ajudem a prosseguir nos nossos desígnios no que respeita ao Conselho Regional. E aos sócios que se mobilizem de forma pró-activa para nele participarem com as suas ideias e criatividade. Respondam às solicitações que têm sido feitas pelo nosso companheiro de Direcção que, por ter já sido conselheiro e não só, ficou responsável pelo pelouro do Conselho Regional e que tem desenvolvido um esforço meritório para que este órgão a curto prazo esteja constituído e a funcionar plenamente.

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