sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Desenvolvimento sustentavel de Tras-os-Montes e Alto Douro


I - O vale do Tua

Desde a sua fundação que, primeiro no Club Transmontano, e nas últimas décadas na nossa casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, esta instituição tem procurado debater e aprofundar ideias sobre as questões estruturais relacionadas com o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida na nossa região.

Nesse sentido, e numa primeira iniciativa da presente direcção, a Casa Regional de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) vão organizar no próximo dia 13 de Dezembro, Sábado, pelas 15 horas, uma Sessão-debate sobre o desenvolvimento sustentável do Vale do Tua, o qual abrange e diz respeito aos seguintes 5 municípios: Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor.

A nossa Instituição está aberta a toda a discussão e a todos os pontos de vista acerca do desenvolvimento da região (e de outras da nossa querida área natural, sobre outros temas que oportunamente possam surgir).

Foram convidados os Presidentes dos Municípios do vale do Tua, já que, com todo o seu conhecimento e experiência, muito poderão contribuir para o debate do projecto apresentado pelos técnicos especialistas do IDP.

Apelamos à presença de todos os associados que se manifestem interessados no desenvolvimento sustentável da nossa região. A sessão será antecedida de um almoço que decorrerá na nossa Sede, situada no Campo Pequeno, Nº 50-3º Esq.

Por razões logísticas solicitamos a todos os que pretendam participar no almoço que se inscrevam previamente pelo telefone 217939311.



Vale de Gouvinhas

A cerca de 20 Km para NNO de Mirandela, entre os rios Tuela e Rabaçal na margem direita e esquerda, respectivamente encontramos a freguesia Vale de Gouvinhas. Tem actualmente cerca de 500 habitantes, números bem diferentes dos censos de 1950, tinha 942, dos quais 477 eram do sexo masculino e 465 do feminino.

É uma terra em constante movimento e já com sinais claros de algum desenvolvimento quer ao nível de formação superior das suas gentes, quer a nível de infra-estruturas. Apesar dos tempos difíceis para generalidade das nossas aldeias transmontanas tentamos, também nós, remar contra a maré no sentido de estancar aquela que é a maior calamidade dos tempos modernos, ou seja, a desertificação do interior.

Terra que apesar de não ter tido grande imigração, tem parte dos seus naturais, cerca de 350, a residir na área da grande Lisboa, Porto e uma pequena população espalhada pelo resto do mundo.

É uma terra de algum sucesso, pois sempre investiu na educação, prova disso são os cerca de 170 licenciados nas mais diversas áreas e que de alguma forma estão em estreita ligação com a freguesia.

Terra por excelência de bom azeite, tem ainda hoje alguns jovens a investir na actividade, escolha sempre difícil é verdade, mas que felizmente está a dar bons resultados. O facto de terem sido os mais jovens, pessoas já dotadas de melhor formação, levou-os a adoptar uma estratégia não só de produção mas também de comercialização, bem exemplo disso é o aumento significativo da produção de azeitona/azeite seguido de aumento da qualidade. Mas terá sido na cura e comercialização de azeitona de conserva que conseguiram arranjar uma verdadeira alternativa ao mercado tradicional de venda de azeite a baixo custo, direccionado assim a sua actividade mais para esta vertente, estando já uma boa parte a ser exportada.

A Junta de Freguesia, apesar das dificuldades, não olha a meios para manter vivos os valores, as tradições e costumes de outrora sem nunca perder de vista o futuro. Tudo faremos para continuar a equipar de mais e melhores infra-estruturas a nossa terra de modo a irmos de encontro às necessidades e anseios da população. A vertente social é hoje a nossa maior preocupação, bem exemplo disso foi o apoio dado a todos os níveis para criação da "Associação Terras do Marião". Ainda jovem é verdade! mas já reconhecida como IPSS e com um projecto para a construção de um Lar apresentado à Segurança Social para comparticipação financeira.

Também na área cultural em parceria com a Associação Cultural temos entre outras actividades, desde há 3 anos, a funcionar um posto público de Internet. Sendo normal verem-se crianças e adultos a servirem-se das valências que esta oferece.

Mas como parar é morrer, diz o ditado, outras áreas existem onde o investimento se tem feito notar.

A sede de freguesia e a anexa de Quintas encontram-se actualmente a receber obras de remodelação das redes de abastecimento de água e saneamento básico, bem como a construção de ETAR'S mais amigas do ambiente. Brevemente terá também lugar a repavimentação do acesso de Valbom Pitêz.

Na rede viária temos feito um enorme esforço. Com efeito a Junta de Freguesia inaugurou no passado dia 18/11/2007 a estrada e respectiva ponte sobre o rio Tuela "PONTE DO MOLEIRO" que liga as aldeias de Vale Maior a Mosteiró estabelecendo-se, deste modo, a ligação definitiva entre as populações de ambas as margens outrora de costas voltadas por falta destas infra-estruturas, ligando neste local as freguesias de Vale de Gouvinhas, Torre D' Chama, Múrias, Mascarenhas e outras. Esta obra de grande envergadura reveste-se de grande sentimentalismo para as populações locais.

É ainda de salientar que esta ligação reduz em cerca de 15km a distância entre estas últimas a Valpaços.

A obra foi financiada pelo Ministério da Agricultura e Câmara Municipal de Mirandela, sendo um bom exemplo de gestão como fez questão de relembrar o Sr. Director Regional Agricultura do Norte Arqº Carlos Guerra.

Como complemento a estas obra pretendemos a construção duma praia fluvial e a criação da "Rota do Moleiro" a candidatar ao QREN.

De destacar foi também a homenagem que se pretendeu fazer a todos os moleiros que durante tempos imemoriais tanto contribuíram para o bem estar das populações locais, daí o nome "PONTE DO MOLEIRO".

E porque o tempo não espera, temos forçosamente que o acompanhar para que os caminhos do futuro nos tragam o progresso que tanto ambicionamos e desta forma combater a malvada desertificação. A freguesia de Vale de Gouvinhas através das suas gentes, associações e autarquia continuarão a trabalhar para construir um futuro melhor e mais próspero por forma a dar à sua população a qualidade de vida que todos merecem.

Um abraço amigo das gentes da Freguesia de Vale de Gouvinhas.

O Presidente da Freguesia

Rui Sá

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A chegada do inverno

Por muitas e variadas propostas que tenha em mente para redigir estas crónicas, quando chega o dia em que as devo concretizar, não me recordo delas e pior, não sei como começar. A disciplina da escrita desenvolve, por vezes, algumas ansiedades até que o escrito fica pronto. Hoje estou num desses dias, e o começo da chuva traz-me inspirações repetitivas como a matança do porco, as castanhas e os magustos, as sopas completas, as chegadas à lareira com os enchidos de remédio convivial, ... e a lembrança de que já escrevi sobre todos esses temas.

A região de Trás-os-Montes e Alto Douro é pródiga em feiras nesta época do ano. A que causa mais admiração é a famosa Feira dos Gorazes de Mogadouro. Para provocar a resposta que eu já sei pergunto algumas vezes, a oriundos do Sul, se sabem o que é esta feira, indico a localização e praticamente a totalidade me responde com perguntas sobre a razão de uma feira de peixes, porque razão o "goraz" é tema de feira nesta localidade e todos ficam surpreendidos com a minha resposta. De facto até muitos transmontanos desconhecem a origem desta designação. Ao que sei "goraz" era o nome dado à taxa, contribuição, para poder participar com produtos para venda nesta feira onde se comercializava tudo. Claro que com a evolução o âmbito da feira alargou-se, tem espectáculos e é possivelmente o evento mais importante de Mogadouro. Para além das vendas variadas há um importante capítulo de actividades lúdicas. Inicialmente estas feiras eram dedicadas aos produtos alimentares e comércio de gado, e outras actividades agrícolas.

Mas o panorama de animações de feiras, e mostras, está a aumentar. Fiquei agradavelmente surpreendido com a Festa das Sopas e Merendas em Freixo de Espada à Cinta. E porque somos ainda um País de Sopas, sopas completas que constituem uma refeição, e de merendas... felizes aqueles que ainda as podem fazer.

No programa, prevê o dia de abertura, uma manifestação especial, degustação, apresentada por um trio que garante, cegamente, o seu sucesso: Restaurante Flor de Sal, Confraria dos Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Escola de Hotelaria de Mirandela. Quando esta crónica for publicada já, de certo, esta degustação foi devolvida à Natureza. No entanto, corro o risco de vos abrir o apetite e não esquecer a próxima edição desta festa.

Ora aqui vai o cardápio: "Aveludado de Abóbora Menina, com Gengibre raiado de Azeite de Trás-os-Montes e palitos de Queijo Terrincho Velho". Bem, podemos ficar espantados com estas misturas. Fora de questão está a utilização de três produtos tipicamente locais, podemos é estranhar a utilização do gengibre. Este, assumido como um fármaco até ao século XVIII, tem uma função importantíssima nesta preparação que é aumentar o sabor da abóbora, habitualmente adocicada por natureza.

"Almôndegas de Azeitona Negrinha de Freixo na Companhia de Migas de Bispo". Quanto a esta confecção tenho que remeter os leitores para as obras de receituário do meu Amigo António Monteiro, designadamente os registos do livro "O Azeite e as Azeitonas" e ainda para o recente, e excelente, livro "Palavras do Olival", ambos do João Azevedo Editor. Apenas vou referir a curiosidade das Migas do Bispo. Parece que assim são designadas por ser um prato rico confeccionado durante as visitas episcopais, e que teriam uma grande variedade de legumes, feijão-frade, ovos, vinho...

"Rabos de Polvo das Bruxas em Torradas de Azeite e Alho". Sem novidades excepto a sua apresentação que será, possivelmente, como um petisco. Desde cedo que o polvo marcou presença entre nós pela sua capacidade de conservação, em seco. Recentemente, em encontro gastronómico com nuestros hermanos da Galiza, afirmavam eles que um dos elementos comuns connosco é o polvo. Sim, que eles preferem e acham-se mais parecidos com o Norte de Portugal do que com a Espanha! Das "Bruxas" acho muita graça, e com seriedade, pois eu sou um devoto das Bruxas conforme terão percebido os que leram a minha última crónica na qual apresentava o meu conceito de "Bruxas Boas", que são as fadas dos adultos.

"Ensopado de Perdiz em Tomatada". Aparentemente sem história mas, às vezes, o mais simples é o mais complexo. Garantida que esteja a qualidade do pão, perdiz selvagem e o tomate bem tratado.

"Cabrito com Marmelos e Figos, e Crocante de Amêndoa". Ora aqui temos um exemplo de influências da permanência dos "mouros" entre nós. Não podemos esquecer que após a sua expulsão fomos tolerantes e deixámos ficar todos aqueles que estavam ligados à alimentação designadamente os comerciantes que andavam de feira e que eram os únicos, até á descoberta do Brasil, que comercializavam o açúcar de cana. Hoje em dia é fácil encontrar em todo o Magreb o cabrito assado com marmelos. Pena é que nós apenas o usemos para fazer marmelada. E os "Marmelos Assados no Forno com Mel e Canela"? Estão quase a desaparecer. E os "Marmelos em Calda"? Os lisboetas ainda podem comer no restaurante "Farta Brutos" no Bairro Alto. Figos de todos os países do Mediterrâneo mas que, nestas coisas de comer, os mares sobem facilmente até às montanhas. A cozinha de fusão, hoje identificada, foi um processo lento e que confirma como as questões do quotidiano evoluíram num cruzamento de prazer para a vida das sociedades.

"Papos de Anjo de Azeitonas com Gelado de Vinho Moscatel". Fecham com chave de ouro. Os mais cépticos já enrugaram a testa com a perversão das azeitonas nos Papos de Anjo. Os anjos, pelas suas virtudes saberão acolher e valorizar todos os que pretendem protecção. Viva a imaginação! E não esqueçamos os versos populares, cantados em dias de feira ou romaria, de outra especialidade celestial: "O nome toucinho-do-céu/ tem a sua explicação/ toucinho pelo ingrediente/ do céu pela satisfação." Olhemos para as azeitonas adoçadas, com mais ternura.

Genericamente sobre "Sopas e Merendas" parece-me que seria bom parar um pouco e reflectir sobre o inferno das acelerações diárias, com pequeno-almoço rápido e deficiente, almoços ainda piores e o abandono da refeição do meio da tarde, que é a merenda. Sem querer armar-me em nutricionista, nem dietista, há pequenos conselhos que deveríamos por em prática. Um pequeno-almoço tranquilo e equilibrado garante um dia melhor. Às refeições sempre sopa. Quantas vezes uma boa sopa, sopa completa, faz uma verdadeira refeição. Por alguma razão nos quartéis e hospitais a sopa era parte obrigatória nas refeições e quase sempre o melhor componente. Comam sopa pela vossa saúde.

E agora as Merendas. Quantas vezes associadas a passeios ao campo, apetite entre refeições, e que no passado serviam para revigorar forças nos trabalhos do campo. Ainda me lembro de merendar pão de centeio com uvas. Pão de mistura com enchidos ou bom presunto.

Para não variar, cá estive eu a desviar o tema que me propus tratar. Mas tudo em louvor das nossas terras. E nesta época de Inverno saudemos a feiras ou festas dos nossos bons produtos, da castanha, da abertura do vinho novo ou dos célebres enchidos.

Mesmo ao terminar esta crónica, acabo de receber a notícia que as Equipas Olímpicas Portuguesas da Culinária acabaram de receber duas medalhas de bronze, em disputa na Alemanha entre cinquenta e três países. Portugal está representado por um equipa sénior da qual faz parte o nosso conterrâneo Manuel Bóia, e uma equipa júnior chefiada pelo nosso também conterrâneo António Bóia, ambos naturais de Santulhão e que são irmãos. Parabéns a todos.

BOM APETITE!

© Virgílio Gomes

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Crónicas em mirandês

O mirandês é uma língua astur-leonesa, que pertence ao grupo das línguas românicas. Durante séculos foi uma língua de transmissão oral, tendo sido dada a conhecer à comunidade científica e estudada pela primeira vez por José Leite de Vasconcelos, no fim do séc. XIX. Estima-se entre 7 e 10 mil o número actual de falantes, incluindo os que habitam no Concelho de Miranda do Douro, em três aldeias do Concelho de Vimioso e os i/emigrantes. Foi oficialmente reconhecida pela lei nº 7/99, de 29 de Janeiro, aprovada por unanimidade pela Assembleia da República.

Com o objectivo de contribuir para manter viva esta língua, o Centro Nacional de Cultura decidiu destacar semanalmente neste portal as crónicas em mirandês publicadas no semanário regional, A Voz do Nordeste pelo Dr. Amadeu Ferreira, presidente da Associaçon de Lhéngua Mirandesa.

Çparaba rajadas de bersos

Tenie, cumo you, catorze anhos i andábamos dambos a dous ne l Seminário de Bergáncia, ne l quarto anho, l que agora le cháman uitabo anho. Anque andubíramos juntos hai quatro ou cinco anhos, lhembra-se-me nessa eidade porque mos sentábamos an carteiras ua al lhado de la outra. Siempre le admirei la marrafa bien puosta al para trás, que you nunca fui capaç de la adominar por bien auga que le botasse al pelo, a quantas mais fazer óndias cumo l del! Inda hoije, l'eimaige que guardo del ye essa: la bida lhebou-lo, pouco tiempo apuis, por outros caminos i a mi deixou-me-lo siempre moço.

La sala de studo custaba a calcer ne l eimbierno, inda que fúramos arrimado a cien. Por bien calhados i quietos, bundaba ua tossidela, un lápeç a caier, un cerrar menos lhebe la tapadeira de la carteira, un arrastrar de pies, un albantar - senhor purfeito puodo ir a la retrete? tire-me eiqui ua dúbeda, puodo ir al miu colega a pedir uns apuntamientos?, - ou algo assi para que aqueilha sala nunca fura calhada cumo la missa. Cada carteira era un mundo, que até segredos chegaba a guardar. El era siempre l purmeiro a acabar la traduçon de lhatin, i lhougo ampeçaba a çparar rajadas de bersos acontra l fondo de la carteira, que mal se oubien: la capa negra cun que mos tapábamos nun deixaba l sonido salir para fuora, mas sentie-lo cumo se alredror s'albantara un airico a beilar; nin un mirar pa l lhado anunciaba la hora de ls bersos, nin ua fuolha anriba la carteira ls podie arrecolher, táticas de camuflaige que l poeta tubo que daprender zde cedo. Ls bersos éran la nuossa guerra, siempre cuntados na punta de ls dedos, ambaixo la carteira. Yá bien bezes habiemos dezido que nun balie cuntar puls dedos, mas eilhes nunca aceitában quedar de fuora de la fiesta. Mui ralo le ganhaba, na métrica, nas eimaiges guapas, ne ls temas, na spuntaneidade cun que l berso le salie. A soutranho, yá nun quedemos juntos, que deixou l seminário. Nun l tornei a ber. Muitos anhos apuis, inda an Bergáncia, soube la nobidade: matórun a Nuno Galvão na guerra, an Moçambique. Cuntaba-se que yá tenie ua rapazica pequerrixa, que nunca coinci. Alguns anhos a seguir, bieno l 25 de Abril i acabou cula guerra quelonial: tamien you stube nesse die i lhembra-se-me de pensar que l sangre se habie arrecolhido al burmeilho de ls crabos, l sangre tamien de Nuno Galvão i outros: siempre mirei pa esses crabos dun modo special. A el inda l beio, moço, a cuntar bersos cumo quien çpara ua matralhadora, que ls poetas nunca se muorren, nunca ls bersos se cálhan, que sous bózios nunca cáben nas fuolhas. Quien me dira inda tener aqueilhas fuolhas de papel als quadricos - de quei screbiemos nós cun catorze anhos? - i neilhas ampalpar que nin todo era malo.

Scribo esta crónica cumo houmenaige al miu amigo i poeta Nuno Galvão, de Milhão, porque hai dies me lhembrei del, al ler algo que me eimocionou. Nua palhestra subre l 25 de Abril, un garotico de 7 anhos preguntou-le al tiu de MFA que alhá staba a falar: porque nun fazistes l 25 de Abril mais cedo? Assi, yá nun haberien matado na guerra a miu abó, nin miu pai quedado sin pai quando tenie la mie eidade.


http://www.e-cultura.pt/

sábado, 22 de novembro de 2008

O magusto da CTMAD de 16 de Novembro

O nosso amigo e conterrâneo Costa Pereira de Mondim de Basto publicou no seu blog Portugal, minha terra um artigo excelentemente ilustrado sobre o magusto da nossa Casa, ao qual pode aceder clicando aqui.

EDITORIAL - A nossa vetusta "Dama" fez 103 anos

Foi com muita alegria que diversos associados estiveram envolvidos num fraternal convívio comemorativo de mais um aniversário da nossa vetusta «Dama» que é a CTMAD. Vetusta significa exactamente respeitável pela sua antiguidade e a nossa «Dama» merece que a veneremos e que façamos por ela tudo o que merece.

A nossa «Dama» tem, como qualquer ser vivo, momentos de melhor e pior saúde. A nossa, ao longo dos seus 103 anos de vida, não fugiu à regra. Teve momentos de franco progresso, outros de estagnação e outros mesmo de tão trágica situação que quase a conduziram à morte. Conheceu sucessos e insucessos, mas felizmente sobreviveu, está bem viva e recomenda-se.

Tal como um ser humano, a nossa «Dama» também vive de projectos, uns concretizados outros não. Foi exactamente o que sucedeu nestes primeiros meses em que a actual direcção, a que me orgulho de pertencer, tomou conta dos seus destinos. Lembro os prezados leitores (e leitoras, não o esqueço!) que nada prometemos para além do trabalho e dedicação, pois como se costuma dizer, «de promessas está o Inferno cheio».

Pautamo-nos por grandes objectivos e nunca os tirámos do pensamento. Pelo contrário, focámos neles toda a nossa atenção e vontade de cumprir. Mas o pior é que nem sempre o cumprimento dos objectivos está inteiramente nas nossas mãos. Por isso, nestes cerca de 8 meses de governação, conseguimos acelerar o passo no caminho de algumas metas, mas ao mesmo tempo esbarrámos com grandes dificuldades para progredir a caminho de outras. Assim, por exemplo, se por um lado conseguimos organizar e participar em diversas actividades de carácter cultural, cumprindo o desígnio de fazer da nossa Casa uma fonte disseminadora da cultura da nossa região, por outro lado não conseguimos até ao momento, contrariamente ao que prevíamos, por a funcionar o Conselho Regional, isto independentemente do esforço nesse sentido desenvolvido por alguns diligentes associados de que destaco os nomes do nosso Colega de direcção António Costa, agora ausente em Glasgow enquanto dura a sua licença sabática e substituído neste interinamente pelo colega Carlos Cordeiro e do sempre dedicado e entusiasta Dr. Guedes Vaz que como é sabido foi o Presidente do Conselho Regional cessante. Que outros associados lhe sigam o exemplo é um desejo que aqui deixo expresso. Infelizmente os sucessivos apelos que eles e outros têm feito para a participação nesse importante órgão ainda não encontraram a merecida resposta pelo que teremos de arrancar com os que já se dispuseram a colaborar, na esperança de que com o arranque do funcionamento do mesmo outros associados de outras autarquias ainda sem representantes se disponham a integrar o mesmo.

Voltando à questão das metas para que se caminha muito, pouco ou nada, sei que também estarão a pensar no objectivo fulcral que é a nova SEDE. Acreditem que de modo algum está esquecido e a Colega da direcção Drª Maria de Lourdes Marques tem-lhe dedicado todo o cuidado e atenção que merece. Mas algum de vós pensará que temos connosco uma varinha mágica que nos permita de repente resolver esse já demasiado prolongado problema?! À nossa voz respondem ecos bem audíveis de que as coisas estão muitíssimo (mais do que muito!) bem encaminhadas, mas como já tantas promessas se fizeram a que se seguiram enormes desilusões, preferimos ficar por ora calados até vermos concretizado tudo aquilo que ouvimos, «preto no branco

Quero terminar este meu breve editorial com uns justos agradecimentos e merecidas felicitações a todos aqueles que contribuíram para a Festa de aniversário da nossa «Dama».

O primeiro agradecimento, puro e simples, mas muito sincero, vai para todos os Colegas de Direcção que comigo têm partilhado momentos alegres a par de momentos de angústia. Bem hajam pela entrega à vossa missão e felicito-vos publicamente por a cumprirem o melhor que vos tem sido possível. Prometemos ser uma comunidade de pensamento e acção dentro da nossa CTMAD, unido em torno dos nossos objectivos e creio que o temos conseguido. Um oportuno e particular agradecimento ao nosso Presidente da Assembleia Geral, Prof. Guilhermino Pires a cuja intervenção se deveu a oferta gratuita das instalações do local onde decorreram as festividades, ao Vice-Presidente da direcção António Cepeda, ao vogal Manuel Martins e aos que com eles contribuíram para a organização desta última Festa que, pelos ecos que se ouviram, foi do agrado de todos quantos nos deram o prazer de estar presentes, ao Dr. Armando Jorge por ter aceitado o convite para realizar a palestra sobre Trindade Coelho, ao Dr. Altino Cardoso pela sua prestimosa colaboração na Missa, ao Dr. Serafim Sousa pela organização da Missa e colaboração no Leilão e ao Grupo Maranus pela alegria que nos proporcionaram, como sempre aliás.

Por fim mas não por último, felicito também e exprimo a minha gratidão como Presidente da Direcção a todos os sócios que foram agraciados pela sua condição de associados de longa data. A nossa «DAMA» precisa, como do «pão para a boca», de associados como vós. Ajudem-na todos no seu engrandecimento angariando mais associados. Precisamos de crescer para atingir a «massa crítica» que nos fará «voar mais alto» de modo a garantir que tal vetusta «Dama» tenha uma habitação mais digna.

____________________________________

NA NOSSA FESTA DE ANIVERSÁRIO COLABORARAM GENEROSAMENTE:

Garrafeira Campo de Ourique

Rua Tomás da Anunciação nº29 A - 1350-322 Lisboa telefone: 21 397 34 94 fax: 21 397 59 61 garrafeiracourique@mail.telepac.pt


QUEIJO TERRINCHO
D.O.P.

DE RUI TADEU

5360-493 VILAS BOAS - VILA FLOR




ADEGA COOPERATIVA

DE SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

"VINHOS FRAGA DE OURO"

5130-323 - S.João da Pesqueira



BENJAMIM JORGE DIEGUES

VILA BOA - VINHAIS

PÃO-PRESUNTO-FUMEIRO

5320-000 Vinhais


GRUPOS CORAL E DE CORDOFONES DA PT TELECOM

O METRO TOMBOU AO RIO !

por José Agostinho Fins

Uma vez mais, a quarta desde Janeiro/2008, o Metro de Mirandela, tombou na linha, semeando a morte!!... ceifando vidas!!.... "caiu numa pequena ravina de 4 metros!!!....", segundo ouvi num dos noticiários da Televisão, nem importa em que canal!!...

Tendo o mais profundo respeito pela vida, e pela morte, bem como pela pessoa humana, não deixo de realçar que o metro já tombou quatro vezes, em oito meses, e que a ravina, no caso vertente, tinha quatro metros, (suponho de profundidade!!...), e foi dita de pequena!!... o que será uma grande ravina!!??...

Desde que me conheço, tenho um fascínio por comboios!.. por ventura, pelas suas linhas em perspectiva, convergindo lá longe... não sei bem!...

Com que saudades recordo o comboio parado e a fumegar na bela estação de Mirandela!!... imagens que a memória guardou no tempo, no meu tempo!!... que bela imagem aquela, fumegante!!.. que fantástica perspectiva!!... que saudades!!...

Durante anos, décadas, o comboio subiu e desceu o vale, acompanhando o rio Tua!... deambulou pelo planalto bragançano, de Mirandela a Bragança!... silvando, assustou, avisou, cumprimentou, deu as "boas horas"... a todos quantos o viam passar!!... transportou tudo e tantos!!... transportou saudades e lágrimas, sorrisos e esperanças!!... marcou o tempo!!!..

Mas os tempos mudam!.... "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...", como escreveu, sabiamente, o glorioso Poeta, Luís de Camões... e, por conseguinte, o comboio, o saudoso comboio.... diluiu-se, desapareceu, chorou, sangrou fogo.... e, enfim , a "economia", a sábia economia, fê-lo desaparecer, como que o assassinou!!... ao que parece a "economia" também mata!!!...

Não sei porquê, nem como, talvez fruto dos tempos, da evolução dos tempos,.... eis que aparece a circular nos mesmos carris, no caminho do comboio, o metro de superfície, o metro de Mirandela... que, contrariando a definição de "metro padrão", se tornou maior, esticou, chegou de Mirandela a Carvalhais, depois de Mirandela ao Tua, e de Mirandela a Bruxelas!!... "e se mais houvera lá chegara!".... São, enfim, os segredos da física, os segredos da ciência, os segredos... certamente os segredos!!....

Ostenta a côr verde, o verde dos campos, o verde da esperança!!?.... mas, esperança de quê!?... de simular o comboio!?... de substituir o comboio!?.. não sei, e certamente não entendo, nem tenho que saber!!... mas, enfim, dado que não há comboio, pois vejamos o "metro" passar!!... mas, já que passa, pois que ele passe, que viaje, em segurança!... com segurança!... no respeito inquestionável pelas vidas que transporta!!... isso é absolutamente necessário!!... é um imperativo!!.. e para que isso aconteça são requeridas condições!!... sim, são necessárias condições de segurança!!...

Não sei porquê, não entendo porquê, mas ... o "metro" tombou ao rio, ou numa pequena ravina de quatro metros!!!... e, pasme-se, desde Janeiro até Agosto já sofreu quatro acidentes, e fez mortes!!... fez mortes!!... matou pessoas!!.... semeou a morte no campo!!.... no mesmo campo onde devem plantar-se e cultivar-se flores!!...

O metro tombou ao rio!!...pergunta-se porquê, e como!!??...

O que se passa!?... não sei!!... nem entendo!!... ninguém entenderá!!... nem quero propor nenhuma explicação técnica!!... alguém o fará, ou fez, no espaço e no tempo certos, e com o rigor cientifico que a vida e a morte reclamam!!...

Suponho que o comboio, velhinho e sangrando ferrugem, onde quer que esteja, gelou!!.. chorou!!.. enraiveceu-se, por certo!!!... quis voltar aos carris e devolver essas vidas ceifadas!!... o rio Tua fez parar as suas águas!!... "....correu ao mar, o Tejo duvidoso!...", como bem escreveu o genial Poeta!!!...

Neste momento de nostalgia, em que a tristeza me invade o peito, em que a incerteza do futuro me angustia a alma..... fico a pensar e pergunto-me, buscando respostas:

- Que é feito do Rio Tua!??... talvez exista apenas nas lágrimas de saudade, de quantos lhe engrossam a corrente!!...

- Que é feito do Vale do Tua!??... talvez seja um vale de lágrimas, ou nisso se vá tornando, por sua desventura!!..

- Que é feito da linha do Tua!??... talvez esteja no desalinho de mentes desalinhadas, oxidadas, ou assombradas pela economia!!...

- Que é feito do comboio do Tua!??... talvez esteja apodrecendo, algures, devolvendo-se à Terra, em óxidos, apodrecendo com a saudade, das saudades que deixou!!...

- Que é feito dos Homens!?... que é feito dos Homens!?... sim, que é feito dos Homens!!??...

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