
A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa promoveu na Sede, em 13 de Dezembro último, a apresentação multimédia do segundo volume do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO*, do associado Altino Moreira Cardoso, violinista do antigo Grupo de Cantares da Casa. Além de muitas e variadas músicas tradicionais, foram projectadas belas fotos do Douro e importantes dados histórico-literários.
Às cantigas da Vinha do primeiro volume juntam-se agora músicas instrumentais de Tuna, de Natal, de Reis, de Embalar, Rimances (a maior parte medievais), cantigas do Trabalho, Religiosas, Desgarradas (cantigas ao desafio).
Trata-se de um projecto apaixonante, erguido em largos anos, com cerca de 1150 músicas, letras e um grande estudo histórico-literário, em 3 grossos volumes, cada um com 640 páginas.
Do Volume III, a sair brevemente, constará uma análise histórico e literária dos poemas mais valiosos das nossas cantigas, nomeadamente o enquadramento dos vestígios das Cantigas Populares de Amigo medievais nas circunstâncias históricas que, quase providencialmente, ligaram a fundação de Portugal ao Conde D. Henrique (natural da Borgonha e primo de São Bernardo, o implantador de Cister no vale do Varosa e depois em Alcobaça) e a Egas Moniz, senhor destas terras, em cuja Casa, em Britiande (Lamego), foi criado D. Afonso Henriques (órfão aos 3 anos) e seu filho D. Sancho I.
Acresce ainda que nessa mesma altura foi erigida a Catedral de Santiago de Compostela, cuja força militar está sobejamente documentada na ajuda a Portugal e, culturalmente, na difusão das belíssimas Cantigas do galego-português estudadas nas nossas Escolas - que ainda hoje mantêm vestígios flagrantes de continuidade em muitas letras das nossas cantigas populares, como este Grande Cancioneiro demonstra de modo muito claro.
A presença da Borgonha significa que as melhores castas, tecnologias vitivinícolas e organização empresarial ('boa cepa', a Borgonha) vieram com S Bernardo e a Ordem de Cister para o Douro de Egas Moniz, já desde o século XII.
Os 'vinhos de Lamego' precederam a saga dos 'vinhos do Porto', antes da demarcação da Região, logo que a excelente e abundante produção do vale do Varosa começou a ser comercializada e exportada, através da barra do Douro. Centenas ou milhares de pipas, ainda na Idade Média.
Torna-se evidente que os mosteiros e empresas cistercienses do eixo Lamego-Tarouca assumem um estatuto cultural, económico e patriótico ímpar na História, na Economia, na Gestão do novo Reino e na Cultura de Portugal.
Ainda hoje o espumante Murganheira conserva no seu logotipo a nobre Flor-de-lis do Conde D. Henrique e dos Duques de Borgonha e Reis de França.
Na nossa Terra existe uma Cultura de grande profundidade histórica, em todos os aspectos da actividade humana; e o nosso Douro não é só o vinho, das vinhas saibradas pelos galegos, mas também as suas e nossas belas e milenares cantigas tradicionais.
Divulgar o que é nosso é um Dever de pessoas de cultura e comunicação.
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*Edições Amadora-Sintra
Há muitos anos que deixou de se utilizar a expressão "ir à terra". Esta expressão servia de arreliação aos naturais de Lisboa ou Porto por não terem "terra". Estas grandes massas de população que desenvolvem as capitais e as preenchem, nunca perdem a vontade de periodicamente voltarem ao sítio onde nasceram, onde reencontram as suas raízes e quantas vezes regeneram a alma para regressar ao bulício das grandes cidades. Mas nestes encontros de muita gente, os naturais das grandes cidades não entendiam muito bem este sentido do "ir à terra". E nós, ou eu particularmente, dizia-lhes que eles não tinham "terra". Lisboa e Porto não são "terras". Aqui parece ilustrar-se bem o termo saudade. Talvez por essa necessidade de sentir a proximidade às "terras" permitiu o desenvolvimento das Casas Regionais.
Acompanhado do seu editor Alexandre Gabriel da
Fernando Jorge Chiotti Tavares nasceu em Bragança a 11 de Novembro de 1936, tendo-se licenciado em 1967 pela Faculdade de Medicina de Lisboa. É especialista em Oftalmologia pela Ordem dos Médicos. Fez o cursos de pós-graduação em Laserterapia Oftalmológica, como assistente no Hospital Universitário de Gent, Bélgica. É Chefe de Serviço de Oftalmologia no Hospital de Santa Maria, aposentado. É também Presidente da Sociedade Portuguesa Interdisciplinar de Laser Médico. É sócio da SOPEAM - Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos. Autodidacta, trabalhou durante dois anos sob a orientação dos pintores Manuela Pinheiro e Vitor Belém. Os seus trabalhos figuram em colecções particulares em Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Bélgica. Dedicou-se à escrita, e publicou o seu primeiro romance em Março de 2000, O Fechar do Círculo. Com esta obra ganhou o Prémio da Revelação-Ficção e Ensaio 1999 da SOPEAM. O seu segundo romance, com o título Cova de Lobo foi publicado em Outubro de 2001. Foi apelidado de "obra de fôlego" pelo Júri de Selecção de Novos Autores Portugueses 2001 do IPLB. Em Dezembro de 2003 foi publicado o seu terceiro romance Soltam-se as Amarras, tendo recebido a primeira menção honrosa da SOPEAM.

