sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ACONTECIMENTO CULTURAL EM BRAGANÇA

INAUGURAÇÃO DO CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA GRAÇA MORAIS
E DO NÚCLEO DE EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS


por Arminda Cepêda

Naquele fim de tarde de 30 de Junho de 2008, uma pequena multidão acorria aos pátios e corredores de acesso ao restaurado e remodelado Solar dos Vargas (que funcionou como delegação do Banco de Portugal na 2ª metade do século XX), fervilhando os novos visitantes na ânsia de verem um novo espaço artístico, de inovadoras linhas arquitectónicas, que acolherá no futuro as mais avançadas expressões da arte moderna, incentivando as novas gerações para o entusiasmo e divulgação das correntes estéticas mais ousadas.

O acontecimento foi divulgado na cidade com brilho e euforia, aguardando-se a presença do Primeiro Ministro José Sócrates e seu séquito ministerial, após um dia de resoluções estratégicas nas barragens de Picote e do Baixo Sabor, em que novas perspectivas se focalizaram para o desenvolvimento energético de toda uma vasta Região que apela a novos investimentos e aberturas turísticas.

Mas o centro da cerimónia seriam os largos relvados e brancos espaços do novo módulo pavilhonar da autoria do Arq. Souto Moura, com ligação suave e aérea do Edifício Vargas - onde permanecerá o manancial mais íntimo da obra da Pintora Graça Morais (acervo seleccionado de 1982 a 2005) - ao minimalista, mas luminoso, casario das "Exposições Temporárias".

A entrada do público fez-se em caminhada vibrante, após a chegada do Primeiro Ministro, sendo percorridas com emoção as grandes telas e as telas miniaturais da carismática pintora, onde humanos e animais se mostram numa disruptiva visão de "descida aos infernos". Sangue - Fogo - Loucura - Entranhas de Alma - que nos entontecem.

Vão ver. Venham ver. Se querem saborear a louca viagem, dos loucos instintos, o desespero da sobrevivência e da morte - têm ali o pasto fundo da tragédia humana.

Seguiram-se as horas de deleite, na tarde calma, os suaves discursos, à sombra de pequenas árvores, ainda a nascerem. Aquelas personalidades que mais lutaram - o Presidente da C. M. Bragança, Eng.º Jorge Nunes - a Pintora Graça Morais - o Ministro da Cultura, António Pinto Ribeiro - o Arq. Souto Moura.

E a fechar, as palavras emocionadas do Primeiro-Ministro, aquele que sente aquela pintura "debaixo da pele". Seu Pai desde pequeno lhe mostrava a beleza das fragas, mas foi preciso crescer para se extasiar com a aspereza avassaladora das margens petrificadas.

Ali, no espaço verde, tudo era convidativo. As palavras fluidas, os pequenos sabores apetitosos.

Agora estão ali, á espera, Salas de emoções, Salas de descoberta. Até 31 de Outubro podem ver a enigmática paixão de Gerardo Burmester (Fundação Serralves) "As cores não dizem nada". No tal "Núcleo de Exposições Temporárias", branco, sóbrio, silencioso.


(N.B: Entradas gratuitas até ao final do ano).


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