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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Comenius Regio

Novo Programa de incentivo à Mobilidade Escolar

por António Chaves

No passado mês de Novembro foi apresentado, em Bruxelas, o Programa Comenius Regio, que possibilita aos alunos portugueses - do ensino pré-primário ao final do secundário - a deslocação temporária, para estudo, numa região de outro país da União Europeia. No âmbito deste programa é possível não só contactar com estudantes locais, como acontece noutras acções de intercâmbio escolar, mas também participar nas actividades de um clube desportivo, frequentar uma biblioteca, ou visitar um museu, ou ainda actuar em grupos de trabalho ligados a sectores económicos com potencial no mercado de trabalho, ou simplesmente conhecer melhor o sistema de ensino do país anfitrião. O programa envolve também os professores que em contacto com os seus pares e estabelecimentos de ensino podem tomar contacto com boas práticas de ensino e diferentes experiencias de formação. Esta participação abrange, também, os próprios funcionários das escolas.

O Comenius Regio está inserido no quadro geral do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida 2007 - 2013 da União Europeia, que já incluía, nomeadamente, os seguintes subprogramas: Comenius (ensino pré-escolar e ensino escolar até ao final do ensino secundário), Erasmus (ensino superior), Leonardo da Vinci (ensino e aprendizagem em estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação e formação) e Programa Grundtvig (ligado a todas as formas de educação para adultos).

Este novo programa de incentivo à mobilidade, diferentemente do programa Comenius, já existente, tem como vocação o fomento de novas oportunidades de cooperação regional, a nível de ensino. Neste caso o objectivo "não é envolver directamente os alunos, mas sim promover o desenvolvimento de cooperação estruturada entre as regiões parceiras do programa", englobando, neste processo, outros agentes de educação que vão disseminar no processo educativo, os benefícios colhidos no Comenius Regio.

As parcerias estão limitadas a duas regiões (uma delas tem de fazer parte da UE), que acordam o tema a abordar, em função do meio em que cada escola se insere. Educação para o empreendorismo, redução do abandono escolar, novas abordagens educativas - são, apenas, alguns exemplos, dentre um vasto leque de opções.

As candidaturas ao Programa Comenius Regio devem ser entregues até 20 de Fevereiro de 2009; os candidatos vão ser seleccionados durante o Verão e as acções efectivas podem arrancar em Agosto. As candidaturas devem contar com uma autoridade local ou regional, pelo menos uma escola e uma ou mais instituições exteriores à mesma, mas relevantes para a Educação (clubes de jovens, associações de pais, clubes desportivos, empresas, etc.).

Aprender a aprender, aprender em parceria e aprender ao longo da vida são as traves mestras deste programa com um orçamento anual de 16 milhões de euros e uma duração de dois anos. Na opinião de Jan Figel, Comissário responsável pela área, esta é "a melhor forma de aproximação política" entre os povos e constitui uma boa contribuição para a modernização do sistema escolar europeu.

Experiencias nesta linha de aproximação dos povos têm já uma relevante trajectória de sucesso. O subsídio de férias apareceu em primeiro lugar em França em 1936, e a partir daí generalizou-se rapidamente a todos países da Europa Ocidental. Daqui resultou um incremento enorme do turismo e um contacto directo entre pessoas de diferentes culturas e origens como não seria possível imaginar antes. O desenvolvimento das comunicações e o turismo foram os principais vectores de aproximação das pessoas comuns ao logo do século xx, fazendo cair ideias feitas e preconceitos cimentados ao longo de séculos.

Posteriormente à Segunda Grande Guerra, a França e a Alemanha desenvolveram um intenso intercâmbio de contactos entre jovens com a finalidade de amortecer os ódios e sequelas do conflito bélico que se saldou em 56 milhões de mortos. A União Europeia é já responsável pelo mais longo período de paz na Europa. A ideia de que o Estado Nacional nos salva está completamente desajustada. É o preconceito preestabelecido por quem manobrou, com base no medo, a ordem social e política.

A verdadeira liberdade resulta da capacidade da sociedade civil resolver os problemas que lhe vão surgindo pela frente.

Por isso incito os transmontanos a aproveitar esta singular oportunidade que privilegia as novas experiências, o conhecimento, o contacto concreto entre pessoas reais, sem crivos ou preconceitos. É cada vez mais claro que as regiões mais periféricas e enfraquecidas estão contaminadas pelo vício do subsídio tóxico, ao mesmo tempo que se instala na democracia local uma espécie de ditadura branda que dita o que está certo ou errado e onde apenas os grupos e personalidades instaladas têm o efectivo direito à liberdade de expressão.

Os principais beneficiários deste tipo de programas não são, normalmente, os que mais deles necessitam, mas os que revelam capacidade e iniciativa para elaborar e apresentar projectos elegíveis. Aí está uma boa oportunidade para os agentes de educação evidenciarem, na prática a sua efectiva identificação com as necessidades e anseios das comunidades locais e regionais em que se integram.

Dentro do espaço comunitário europeu, Portugal continua a sobressair, pela negativa, nas percentagens de jovens com baixa literacia, no abandono escolar (antepenúltimo), nível de ensino concluído (em último lugar) e aprendizagem ao logo da vida (sexto a contar do fim). Conhecendo as diferenças de nível de desenvolvimento do interior norte relativamente à média nacional, é fácil concluir que não é possível deixar perder oportunidades como esta, se verdadeiramente lutamos pelo progresso das nossas terras, ou nos limitamos às tiradas de circunstância, para fins nem sempre confessados. É também uma excelente oportunidade para as forças partidárias locais mostrarem que estão realmente ao serviço do povo e não apenas interessadas no exercício do poder.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A Galiza aqui tão perto

por António Chaves

Há uma diminuição da procura de trabalhadores portugueses nas regiões fronteiriças, a par de uma queda da exportação de produtos portugueses para Espanha, que, em Março registou uma diminuição mensal de 7%. Os sectores mais sensíveis são os têxteis, vestuário e calçado que colocam neste mercado um quarto das suas exportações.

Naturalmente, a Trás-os-Montes interessa-lhe acompanhar, em particular o comportamento da construção civil na Galiza e em toda a Espanha, uma vez que é este sector que mais pode afectar as famílias locais com elementos a trabalhar nesse sector, que além de ser o mais afectado, representa para Espanha 10% do Produto Interno Bruto.

A criação de postos de trabalho tem como primazia a dinâmica empresarial e é no tecido industrial galego / Espanhol que se tem conseguido nos últimos tempos um número significativo de novos empregos, e onde, a médio prazo a nossa região vai colher a experiencia e o contacto com uma realidade que privilegia a inovação, a cultura do risco, o empreendorismo e criação de novos projectos como base do desenvolvimento e da sustentabilidade.

As taxas de juro, petróleo e bolsas internacionais estão a afectar as economias europeias e ainda de forma mais marcada a economia portuguesa, onde persiste uma situação de desemprego estrutural. Independentemente da conjuntura desfavorável há que ter em conta que a Galiza representa o sexto principal destino das exportações portuguesas, um mercado potencial de cerca de três milhões de consumidores, com preços dos produtos de consumo semelhantes aos praticados em Portugal e onde o salário mínimo é mais do dobro do que o do lado de cá. Existe aqui uma janela de oportunidade não só a nível de emprego e colocação de produtos vendáveis, mas também a possibilidade de contactar uma cultura organizacional mais consistente, um laboratório de projectos e experiencia no domínio da gestão que podem vir a beneficiar Trás-os-Montes se se revelar capaz de conceber e concretizar uma estratégia regional inteligente. Não é demais recordar que o equilíbrio das contas publicas, conseguido em parte à custa da redução das remunerações reais, do crescimento económico e do sacrifício das classes médias, acompanhado de uma terceirização da sociedade portuguesa está a expor crescentemente a vulnerabilidade das pessoas, mesmo perante pequenas flutuações do rendimento monetário.

Dado que os sérios problemas da economia nacional estão a absorver as energias do governo, estamos, diria, a retornar ao tempo do reinado de D. Manuel, quando reconheceu que não era capaz de abastecer os povos da raia em sachos, relhas e outros materiais de ferro, panos, etc., permitindo o abastecimento em Espanha como se a fronteira não existisse.

A fronteira já não é o que era então e a oferta de trabalho, os mercados, os centros tecnológicos, a Europa das regiões e os valores da cidadania constituem um novo paradigma para o convívio enriquecedor entre os povos raianos, numa comunhão de afectos e propósitos

Idênticos aos partilhados, em harmonia, entre o séc. v e o séc. XI.

É a voz de Miguel Torga que nos evoca, ainda, este elo meio desfeito com a terra e com a vida, entre povos irmãos:


Desta terra sou feito.
Fragas são os meus ossos.
Húmus a minha carne.
Tenho rugas na alma
E correm-me nas veias
Rios impetuosos.
Dou poemas agrestes,
E fico também longe
No mapa da nação.
Longe e fora de mão...*


____________________________________
*Miguel Torga; Identificação; in: Poesia Completa; Publicações D. Quixote; Lisboa; 2000.

domingo, 1 de junho de 2008

Mesa Redonda: "Trás-os-Montes: Autores e Cultura" no Pavilhão da APEL

2 JUNHO 2008 21.00 Âncora Editora "TRÁS-OS-MONTES: Autores e Cultura" Mesa Redonda com Amadeu Ferreira, António Chaves, Bento da Cruz, Ernesto Rodrigues, Rogério Rodrigues e Vítor Barros. Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa

QUINHENTOS MILHÕES DE EUROS À ESPERA DE BONS PROJECTOS EM PORTUGAL

por António Chaves

Projectos nacionais, regionais ou locais nas áreas da coesão social, da gestão do ambiente e do desenvolvimento do capital humano podem ser financiados pelo CEB, Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa.

Portugal obteve, desta Instituição, até ao presente, empréstimos no valor de 500 milhões de euros, (4% do total dos empréstimos efectuados por esta organização financeira.

No entender do Secretário de Estado do Tesouro este valor pode ser duplicado até 2010.

Para conseguir obter mais 500 milhões de euros de empréstimos é necessário revelar capacidade de iniciativa e conceber, elaborar e apresentar projectos elegíveis no quadro das acções prioritárias definidas pelo Banco.

Eis uma importante oportunidade de financiamento de projectos para combater a desertificação em Trás-os-Montes, promover a criação de emprego e melhorar o ambiente e as condições de vida das populações.

Estamos a pensar em Cooperativas, Misericórdias, Jardins de Infância, Escolas Pré-Primárias, Serviços de Apoio a Idosos, Associações de Bombeiros, Organizações de Formação, Sistemas de Rega e de Reflorestação, Projectos de Compostagem a partir do corte de matos, transformando-os em fertilizante orgânico e ecológico para melhorar o rendimento das explorações agrícolas, elevar e certificar a qualidade dos produtos, controlar os incêndios e reduzir a emissão de CO2 para a atmosfera.

A experiência demonstra que a obtenção de financiamentos não é o resultado directo do reconhecimento das reais carências, mas antes da capacidade de organização e apresentação de projectos elegíveis, sobretudo quando é relevante demonstrar os efeitos previsíveis a nível regional ou sectorial, que obrigam a uma cooperação efectiva de diversas entidades.

Os Municípios, As Associações dos Municípios do Alto Tâmega e dos Municípios de Trás-os-Montes e Alto Douro têm aqui a possibilidade de concretizar oportunidades de financiamentos para projectos de reconhecido interesse social.

O Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB) foi criado em 1956, com a missão de financiar projectos na área da coesão social (habitação social e criação e manutenção de postos de trabalho), construção e reabilitação de infra-estruturas, transportes e de serviços administrativos e judiciais, dando resposta a necessidades de recuperação, específicas do pós-guerra.

A missão do CEB foi posteriormente alargada ao financiamento de projectos nas áreas do ambiente e do desenvolvimento do capital humano (saúde, educação, formação profissional e infra-estruturas adjacentes) . Podem candidatar-se entidades do sector publico (nacionais, regionais ou locais), entidades privadas sem fins lucrativos e organizações empresariais (PMEs). O CEB financia até 50% do total do investimento, de forma rápida e flexível, com reembolsos de 10 a 20 anos e uma carência de capital de um a cinco anos, além de taxas de juro muito favoráveis.

No ultimo workshop de apresentação do CEB em Lisboa, em 20 de Fevereiro e no Porto a 21 , estiveram presentes o Secretário de Estado do Tesouro e o Vice Governador do CEB, Mr. Apolónio Ruiz - Ligero, onde foram expostos os critérios de avaliação e elaboração de projectos que, no dizer do responsável por Portugal se resumem, numa fase inicial, a uma condensação, em 2/3 páginas, dos objectivos, localização, porque é um sector especifico de actuação prioritária, nome do candidato e possíveis garantias, principais efeitos financeiros e valor acrescentado,, resultante da participação do CEB, gestão e benefícios finais, plano de custos, implementação, indicativo das condições financeiras e identificação dos possíveis riscos do projecto.

No referido workshop realizaram-se vários encontros bilaterais entre os responsáveis do banco e entidades que manifestaram esse interesse. Para informações complementares, contactar o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças ou consultar o site: http://www.gpeari.min-financas.pt/.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

PENSAMENTO PARA A ACÇÃO

por António Chaves


Dizem que os gansos voam em formação em "V", porque assim aumentam o alcance de voo em mais de 70%.

Compartilham a mesma direcção, o sentido de grupo, a ajuda mútua para obter melhores resultados e chegar mais facilmente e mais rápido ao seu objectivo.

A observação do comportamento dos gansos permite concluir que compartilhar a liderança, dividir e distribuir os trabalhos mais difíceis, aproveitar habilidades e capacidades, combinar dons, talentos e recursos, com respeito mútuo é uma receita mágica para o êxito.

Quando o ganso do vértice fica cansado, muda-se para o fim da formação onde é menor o esforço, sendo substituído por outro na liderança. Se um ganso sai da formação sente a resistência do ar e mais dificuldade em voar sozinho e volta à formação para aproveitar o poder de elevação proporcionado pelo movimento dos vão à frente. Durante o voo grasnam frequentemente para encorajar o líder e estimular-se mutuamente.

Se um ganso fraqueja, sai da formação e alguns dos companheiros vêm colocar-se a seu lado, numa mini formação, até ele recuperar. Se o não conseguir, por doença ou outra razão mantêm-se junto dele até este falecer e só então voltam ao grupo principal ou se integram numa outra formação de gansos.

Não sei se é desta observação que resulta o ditado africano: " Se queres ir rápido, vai sozinho; Se queres ir longe, vai com muita gente".

Quando há coragem e alento o progresso é mais fácil. A partilha de liderança, entreajuda e solidariedade observam-se em comunidades humanas em momentos progressivos ou quando é necessário reagir a uma ameaça exterior.

Nas situações do dia a dia, o Estado, as organizações profissionais, os grupos sociais, as empresas tendem a assumir uma postura defensiva e a sobrepor os interesses particulares aos interesses gerais. Quando se actua sobre uma rotina defensiva onde já é patente a incapacidade de aprendizagem, o efeito mais provável é exacerbar o problema, em vez de o resolver e aumentar a conflitualidade. Vemos isso todos os dias em Portugal, no ensino, na saúde, na justiça, nas obras públicas, no funcionamento do aparelho do Estado.

Não chega extasiarmo-nos com o comportamento dos gansos e desejar o mesmo para os humanos. Actuar sobre a realidade concreta e controlar os efeitos perversos é uma área estratégica do conhecimento para a acção.

Um país, região ou organização são mais avançados quando já mudaram mais e ultrapassaram mais obstáculos. É hoje consensual que o principal obstáculo ao desenvolvimento é a falta de vontade para mudar.

O conhecimento para a acção representa um método construído, passo a passo, de avaliação da capacidade de aprendizagem, análise de dados, concepção e implementação de uma intervenção efectiva que ajude a criar mais dinamismo e inovação nas organizações.

Enquanto Transmontanos e cidadãos do Portugal de hoje temos aqui uma importante ferramenta para passar das intenções à prática. Vamos a isso?

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