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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aquele castanheiro !...

Naquela volta apertada do caminho, bem junto ao ribeiro,
Lá estava ele, aquele velho tronco negro, já queimado!...
Ainda erecto e com nobreza!... foi morto, fulminado
Por um raio!... Era um secular e majestoso Castanheiro!...

Ali, com saber e carinho, foi plantado por obreiro!
Cresceu!... fez-se grande!... com amor foi tratado!...
Acordou verde na Primavera!... por vendavais foi fustigado!
Estios abrasadores!... noites frias de luar, em Janeiro!

Alguém, passando perto, cravou nele aquele machado!...
De que ele sentiu o ferro até ao mais fundo da alma!...
Não, não chorou!... mas tornou de sangue aquele ribeiro!

Com que nobreza mostra os restos do seu passado!
Como é de saudade a água que no ribeiro corre calma!
Como me assemelho a ti, meu velho Castanheiro!...

José Agostinho Fins
Agrochão - Vinhais
(fins.707@gmail.com)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Recado a Agrochão

por JoséAgostinhoFins

Agrochão!... Ó bela Aldeia onde vi primeiro do dia a luz!
Berço de almas tantas e generosas; berço da minha Mãe!
Por teus hortos, fontes, idílicos recantos, passou Jesus,
E como desejou ter nascido em Ti, mais que em Belém!...

Linda Aldeia!... onde as casinhas de xisto, são ao Luar
Mais belas!.. aconchegadas em redor da Igreja, (um Primor!)
E aos pés daquele Cabeço, onde o mesmo Jesus está a vigiar,
Pregado naquele madeiro e caído de joelhos naquele andor!

Verdes são os campos na Primavera! Cinzentos olivais!
Castanheiros frondosos! Roxos vinhedos outonais!
Fontes cristalinas!... símbolos do Amor e da Saudade!...

Beija-te o sol radioso, quando nasce por detrás da Serra;
Reza contigo a Senhora do Areal!... Ó linda Terra,
Deixa que eu morra em Ti, e descanse no Senhor da Piedade!


Agrochão
(fins.707@gmail.com)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Senhor dos Passos

Nesse Vosso olhar divino, profundo, e de Piedade,
Desse Vosso corpo sofrido, humilhado sob o madeiro...
Esse Vosso rosto, divinal pureza, reflecte a ansiedade,
De querer falar a quem Vos olha!... quase Cristo Verdadeiro!...

Olhos e sorriso de frescura magoada e cristalina,
Que infundem uma ternura, uma esperança,
A quem seguro pedindo está graça divina,
Ou está orando pela graça que já se alcança!...

Naquele rosto tão perfeito está estampado
Todo o Universo, em todo o seu esplendor
Como majestoso é aquele corpo caído sobre o Andor!...

Se Cristo Jesus não fora no Calvário crucificado,
Certo seria este Homem, que ali está há longos anos,
Ele Mesmo, que padeceu às mãos cruéis dos Romanos!....

À minha Mãe

José Agostinho Fins
Agrochão - Vinhais

sábado, 7 de junho de 2008

Senhor da Piedade

Lá no alto, pertinho do Céu, naquele singular cabeço,
O Senhor da Piedade, Jesus Cristo crucificado,
Que aquele Povo venera, aquele Povo abençoado,
Que sobe a ladeira, cantando ou rezando o terço!...

Que imagem divina!... majestosa!... tanto do apreço
De almas piedosas, onde infunde claridade,
É este Jesus, Divino Senhor Jesus da Piedade,
Esperança dos Homens!... imagem que não esqueço!...

No seu Dia maior, com rosto suave e clemente,
Vem àquele Encontro, momento supremo e comovente,
De preces sentidas, de emoções, de maior Saudade!...

Ouve-se o silêncio!... vem passando Nossa Senhora!...
Dois rostos Divinos que são de Sol nascente da Aurora!...
No seu Andor, sempre:... Senhor Jesus da Piedade!....


À minha Mãe

JoséAgostinhoFins
Agrochão - Vinhais
(fins.707@gmail.com)

sexta-feira, 14 de março de 2008

A Mulher Mãe!...

por José Agostinho Fins*


Mulher e Mãe que chora copiosamente aos versos
Que a fome trouxe dura ao canto da Poesia!...
Mulher cujos sentidos sabem não ser só fantasia,
As águas que correm magoadas em leitos adversos!...


Que os ventos sopram duvidosos em diversos
Horizontes, carregados da salsa bruma e maresia,
Que tudo arrasam, tudo queimam... (que ironia!!..),
Os ventos que levam sonhos, pelo tempo só dispersos!...


Mulher cujos olhos meigos para lá do espaço
E do tempo enxergam na alma magoada,
De alguém que sorrindo chora a saudade abrasadora!!...


Mãe, que lágrimas são essas vertidas com embaraço,
Suspensas na Poesia, onde a fome ignóbil é declamada?!!...
Lágrimas!!... essas lágrimas, são sorriso da Divina Senhora!...


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*Agrochão - Vinhais (fins.707@gmail.com)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

BANCO DE JARDIM!...

por José Agostinho Fins*


Banco de Jardim onde me recosto e adormeço,
Envolto pelo silêncio do frondoso e verde arvoredo,
Pelo inquieto Pensamento, pelo pranto magoado!!... qual degredo,
A que me amarra a paixão... de quem sonhando não esqueço!...


Desfilando vão as verdes memórias, duras verdades, e desejos,
Sonhos desfeitos, vidas acabadas, quantas surpresas!...
Pensamentos vãos, contos de amor, dolorosas incertezas...
Banco de Jardim!... testemunho inerte de ternuras e beijos!..


Velho tronco, naquele Oásis, naquela madrugada...
(Inscrita no Tempo, marca profunda de Saudade!!...),
Qual Banco de Jardim, onde teus olhos são claridade!...


Banco de Jardim!... quanto segredo, surda mágoa sufocada!...
Fronteira de liberdade, serena prisão, discreta masmorra!...
Banco de Jardim onde me adormeço!... ou talvez morra!...



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*Agrochão - Vinhais
(fins.707@gmail.com)

sábado, 15 de dezembro de 2007

Pobre!...


Sou dono do tempo, do infinito e do etéreo espaço,


De tudo ou de nada, de quanto só me rodeia!...


Das nuvens e ventos, das águias, da Lua Cheia,


Do Sol brilhante, de tudo que faço e não faço!...



Sou dono da chuva, da neve, dos indómitos temporais,


Das estrelas cintilantes, que brilham na noite escura,


De toda a natureza, das serranias cinza ou de verdura,


Do cântico dos melros que pululam nos choupais!...



Sou dono só de mim!... vivo a par com a saudade


Que me tempera os dias, amenizando os sofrimentos,


Me erguendo o olhar para lá do mar!... só para te ver!...



Sou dono só de mim!... companheiro irmão da Liberdade!...


No meu peito florescem de fogo e nobres os sentimentos,


Regados com sorrisos de alma, que olhos teimam em esconder!...




José Agostinho Fins


Agrochão – Vinhais

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