Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de setembro de 2008

Romance "Mulher Desaparecida a Sul" lançado a 5 de Junho na CTMAD

por Virgínia Rodrigues

O lançamento de um novo romance de Modesto Navarro na CTMAD é sempre um acontecimento cultural de grandes expectativas, reunindo habitualmente um número elevado dos seus leitores.

Nossos associados ou não, todos eles, nesse dia, estavam interessados na nova obra do escritor, mas também na sábia apresentação da mesma para melhor fruir a posterior leitura.

O Escritor Domingos Lobo iniciou a apresentação da obra envolvendo-nos primeiro em profundas análises de âmbito mais global, com referentes históricos, criativos e memoriais da nossa identidade como povo criador, povo livre no confronto com outras culturas. E no imperativo de amar, proteger e promover a nossa cultura não a deixando estiolar ou abastardar. Evocou Almeida Garrett que, em séculos anteriores, escrevera: "Um povo que não ama, não protege ou não promove a sua Literatura ( ou a Música, a Pintura, a Dança, o Património, a História ) se não está morto, está, certamente moribundo".

Só então Domingos Lobo nos vem particularizar , direi mesmo dissecar o romance apresentado no momento , enquadrando-o tambem na já vasta obra literária de Modesto Navarro e no ollhar crítico deste nosso conterrânio e no seu compromisso ao longo da vida como escritor e como pessoa face à realidade circundante. É sublinhado que Modesto Navarro é escritor que conhece e saboreia as suas raizes, que engradece os seus passos como parte integrante do povo, que, caminhando, fez o caminho sem esquecer esses sinais e raizes , mas sem cerrar o olhar às sucessivas paisagens físicas e humanas do seu percurso a sul e direções outras.

Modesto Navarro distancia-se do regional sem nunca o esquecer ou negar e parte para o global sem nele jamais se diluir.

À generosidade do apresentador da obra, escritor Domingo Lobo, agradeço sensibilizada a cedência de fotocópia da sua profunda e vasta comunicação que me permitiu colher imagens, palavras e citações, que espero não ter traído o sentido, para elaborar este artigo. Permitiu-me também uma segunda leitura mais atenta a "Mulher Desaparecida a Sul", o novo romance de Modesto Navarro.

Termino citando Domingos Lobo no final da comunicação: "Mulher Desaparecida a Sul é , portando, uma novela vigorosa e sensível, abordando os nossos medos face a um mundo que desaba e do qual não sabemos prever o futuro que virá. A vida e os seus inuméraveis segredos. Brilhante começo de uma nova colecção da Cosmos, que se assume como biblioteca onde os autores portugueses de referência poderão encontrar espaço para a publicação de textos que expressem as profundas inquietações deste nossso tempo".

domingo, 23 de dezembro de 2007

Lançamento do livro "DO TEMPO DA OUTRA SENHORA", de Luís Urgais

Teve lugar no passado dia 15 de Novembro, na Sede da CTMAD, mais um lançamento - apresentação - de um livro, este da autoria de Luís Urgais (pseudónimo de Luís Manuel de Sousa Peixeira, nosso distinto associado), intitulado "DO TEMPO DA OUTRA SENHORA".

O acontecimento foi participado por algumas dezenas de associados e amigos do autor tendo, na ocasião, apresentado as boas vindas, em nome da CTMAD, o Vogal da Direcção, António Cepeda que disse:

"É com um sentimento de alegria que dirijo as minhas palavras a toda a audiência.

Desde logo por Luís Urgais ter escolhido a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro para lançar mais um livro de sua autoria, na senda de outros que já publicou, como sejam "Da Mestiçagem à Caboverdianidade", "Penedono no Contexto da Reconquista" e "Trancosã". Uma escolha que nos honra e que nos obriga a prosseguir esta ingente tarefa de dar, não só, guarida, mas, principalmente, voz aos transmontanos e altodurienses radicados em Lisboa que, pelas suas qualidades, mereçam ser reconhecidos e valorizados pela comunidade cultural nacional.

Alegria também pela satisfação de ver este nosso conterrâneo, natural de Mozinhos - Souto de Penedono, prosseguir a sua carreira literária a par da que profissional e proficuamente desenvolve no Município de Odivelas. Parafraseando, todos não somos demais para honrar a Região a que afectivamente o coração nos une e por certo, no futuro, com outras obras, o Dr. Luís Peixeira continuará a contribuir para as suas origens serem cada vez mais faladas e realçadas.

O meu contentamento advém ainda de alguma da temática escolhida para o livro que hoje nos ilumina e que muito prezo. Sem liberdade o mundo seria a preto e branco, belo para uns poucos e terrível para tantos outros, procuremos pois que a cor invada as nossas vidas e que o arco-íris jamais deixe de iluminar o Portugal do futuro.

Para apresentar "Do Tempo Da Outra Senhora" convidou o Autor, o Sr. Dr. Manuel Porfírio Varges cuja relevante actividade como Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Odivelas dispensaria, por si só, demais apresentações. Contudo, porque se trata também de outro ilustre conterrâneo, perdoe-se-me a vaidade de evidenciar a sua trajectória profissional pois, assim, de igual modo, se enobrece a casta transmontana e alto duriense.

Natural da Freguesia de Almendra, Concelho de Vila Nova de Foz Côa, cedo veio para Lisboa vindo a licenciar-se, em 1973, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Exerceu inicialmente grande parte da sua actividade na "Marconi" tendo nesta empresa desempenhado funções de elevada responsabilidade

É por essa altura que exerce também actividade como Técnico Superior de Planeamento no "Gabinete de Estudos e Planeamento" da "Direcção-Geral de Transportes Terrestres" e, já depois do 25 de Abril, assegura, como Administrador, a representação do Estado na "UTIC, Sociedade Cooperativa de Transportadores Rodoviários", à época com mais de 2.500 trabalhadores e apreciável facturação.

O seu contributo à causa pública é bem evidente, desde muito cedo, tendo sido, sucessivamente, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado dos Transportes no 1º Governo Constitucional e autarca na Freguesia da Lapa, em Lisboa e no Município de Loures. Eleito Deputado à Assembleia da República em 1995 ali integra diversas comissões especializadas, passando, a partir de 1999, a presidir à Comissão Instaladora do Novo Município de Odivelas.

Como já referi, o Dr. Manuel Varges está indelevelmente ligado à Cidade de Odivelas por ter sido o primeiro eleito para a sua liderança cargo que exerceu durante um mandato não tendo renovado, infelizmente, a sua candidatura. Podemos contudo, ainda agora, apreciá-lo como professor de Economia Geral na Universidade Sénior de Odivelas.

Vou terminar dando a palavra ao Dr. Manuel Varges para nos falar do livro e do seu autor. A mim resta-me agradecer a presença de ambos nesta casa regional que desejamos vos seja acolhedora e endereçar parabéns ao Dr. Luís Peixeira e à Editora Palimage por fazerem do livro uma bandeira pela qual vale a pena lutar."

Tomada a palavra, o Dr. Manuel Varges falou do "Do Tempo da Outra Senhora", um livro de contos contendo ficções de uma época real, em que a ruralidade se cruza com a paisagem urbana numa época que atravessa o tempo entre o fim do Estado Novo e o advento de uma liberdade tão desejada. Nestas páginas se entrecruzam, também, vivências actuais com as vicissitudes de uma sociedade colonial que encarnava a mundividência de um regime obtuso e autista. As mentalidades, no entanto, não mudam repentinamente, e muito do imaginário social de então permanece até aos nossos dias.

Falou igualmente do autor, dos laços de amizade que a ele o unem e da vivência profissional intensa e comummente desenvolvida em Odivelas, tendo-lhe expressado carinhosas saudações e manifestado o muito apreço por mais esta sua notável obra literária.

Por fim, LUÍS URGAIS, agradeceu a todos o generoso apoio que lhe acabava de ser prestado, configurado pela significativa presença dos que ali haviam acorrido. Convidou, por último todos os amigos a degustarem um vinho fino, encerrando-se desta forma mais uma jornada cultural da CTMAD, digna do seu histórico passado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

QUE MORRA O SILÊNCIO !

"QUE MORRA O SILÊNCIO" foi o silêncio que, de algumas vidas de Morais até Lisboa, desventrado ficou com a publicação do romance em título, da autoria de Manuel Moura, conterrâneo e associado da CTMAD de Lisboa e co-fundador da de Faro, militar de Abril, e um amigo de sempre que, sem esquecer, mais uma vez, a terra que o viu nascer, deu-nos o privilégio de nos recordar os idos anos de cinquenta e sessenta e de nos apresentar e prendar com o que, em síntese e à falta de melhor expressão, poderemos designar por romance neo-realista. E dizemos neo-realista porque Manuel Moura, no segundo livro que dá à estampa, utiliza um estilo livre e coloquial, uma linguagem simples e acessível, por vezes regional, ou até local, a lembrar, de quando em vez, Aquilino Ribeiro da nossa Terra Quente ou mesmo Bento da Cruz, da Terra Fria de Montalegre.

Que MORRA O SILENCIO mostra-nos, em jeito e pendor dialéctico, os contrastes entre a cidade e o campo, entre Lisboa e a aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, entre a vida dos pobres camponeses, que designa por Farroupilhas, e os Inchados que, sendo remediados, vivem à sombra dos ricos, que identifica por Engomados.

Com um bom número de personagens constrói um conjunto de pequenas situações novelescas que, com um leve fio condutor, consegue transmitir-lhe a indispensável conexão do romance, de sabor simultaneamente campestre e urbano, de vidas e relações ora proibidas em razão da moral e da religião, ora mesmo coagidas pelo poder económico de um dos personagens mais marcantes do romance que o tornam uma figura detestável, atrevido e sem vergonha, tanto capaz de tirar a esmola na missa como de encarnar o descontrolado libertino a fazer o rente a tudo que tenha saias.

Sem entrar em mais pormenores, para não perder a curiosidade dos leitores, bem se pode dizer "Que Morra o Silencio" se lê com agrado, talvez por duas ou três vezes, pois que o leitor fica preso à procura do que vai suceder a cada um das personagens, nomeadamente à Marilina, ao César Bailão, ao Manuel Rovisco que vão desfilando pelos caminhos de Micacha até ao Monte Ervedeiro, ou mesmo, de Morelos até ao Porto e Lisboa.

Após a apresentação do livro e dos autógrafos do escritor na nossa Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 18 de Outubro último, seguiu-se um delicioso jantar durante o qual houve conversa animada com o autor e sua família.

Esperemos, para breve, novo romance de Manuel Moura!
Related Posts with Thumbnails