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terça-feira, 20 de maio de 2008

DECLARAÇÃO INTERNACIONAL DOS VINHEDOS DO PATRIMÓNIO MUNDIAL

As paisagens de vinhedos representam um património único que testemunha a relação cultural tecida pelo Homem ao longo de séculos com o meio ambiente físico, económico e social.

Depois de 1992, o Comité internacional do património mundial da UNESCO elegeu, ao abrigo das paisagens culturais vivas, os vinhedos de entre as mais significativas. A comunidade internacional reconhece ao mesmo tempo a unicidade cultural destes territórios e a diversidade das expressões das civilizações da vinha e do vinho.

«Os Vinhedos do património mundial», formados por territórios de excepção, constituem-se numa rede de cooperação mútua de forma a garantir a autenticidade e a continuidade destes valores inscritos na Lista de património mundial da UNESCO. Mais que um reconhecimento, esta inscrição representa um compromisso para proteger de forma eficaz os lugares e os monumentos notáveis, bem como incentivar os agentes públicos e privados à excelência nas políticas de desenvolvimento destes territórios.

A carta internacional de Fontevraud (França) criada por iniciativa da InterLoire (Interprofession dos vinhos do Vale de Loire) e da Missão Vale de Loire, assinada em Dezembro de 2003 pelos agentes nacionais, regionais e internacionais do Vale de Loire, constitui a primeira etapa da criação desta rede internacional de excelência.

Parceiros desde Julho de 2005, por iniciativa do sítio Vale de Loire (França), sete sítios UNESCO mobilizaram os fundos europeus INTERREG IIIC para elaborar os princípios orientadores de desenvolvimento sustentável dos seus territórios bem como as regras para o funcionamento da rede.

Os sítios parceiros, fundadores desta rede internacional são:

- O Vale de Loire (França)

- O antigo Órgão jurisdicional de Saint-Émilion (França)

- O Vale do Douro (Portugal)

- O Alto Vale de Rhin-moyen (Alemanha)

- A Região Vitícola histórica de Tokaj (Hungria)

- O Parque Nacional de Cinque Terre (Itália) e

- Fertö - Neusiedler See (Áustria)

Fonte:CCDR-N/EMRDD

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A catedral das portas vermelhas

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro vai organizar em Maio próximo um passeio à nossa região e à Galiza.

Faz parte do mesmo uma estada em Chaves.
Com jantar no Faustino, é claro.

Por isso tratei, aproveitando as férias da Páscoa que normalmente passo na minha terra natal, de me deslocar à velha catedral da Travessa do Olival para verificar in loco se tudo estava na mesma.

E estava, exceptuando não ter visto o meu bom amigo Eduardo Faustino que por motivos de doença não ocupava o seu posto de trabalho. Mas em compensação, tive a oportunidade de estar com sua esposa, Dª Odete, que me explicou a falta do marido.

Falta justificada.

Estive, vai-não-vai, para lhe perguntar o que iria oferecer aos nossos associados que vão participar no passeio.

A resposta óbvia "coisas boas" inibiu-me de o fazer.

Para quem ainda não conhece "a maior secção de venda de vinho a retalho do país" (J.N.V. 1942), o Faustino, que vai a caminho dos 90 anos, tem passado de geração em geração (lembro-me de lá ver o pai e agora vi lá a neta e bisneto), sempre atento aos sinais dos tempos e vai mantendo o que é de manter e alterando o que é de alterar.

Foi assim que uma velha serralharia, com o seu travejamento muito peculiar, da autoria de mestre Vicente Costa, marceneiro de profissão, se transformou naquilo que hoje é.

Mantendo o seu chão em paralelepípedos de granito, mesas com bancos de madeira, tonéis de 20 mil litros, 15 metros de balcão de pedra e bons petiscos, mudou parcialmente o menu, enriquecendo-o com novas iguarias e albergou actividades tão distintas e afinal tão próximas da gastronomia, numa alquimia perfeita de linguiça, exposições de pintura, pica-pau, coxinhas de rã, representações teatrais, orelha, salpicão, moelas, fados, alheira, bolinhos de bacalhau, variedades, iscas de cebolada, arroz de tomate, cerimónias diversas, salada de bacalhau "feita à mão", batata frita à velha maneira, leite-creme, arroz doce.

Chega?

A integração de novas ideias e de novos projectos não lhe desvirtuou a alma e para quem, como eu, já lá vai há umas dezenas de anos, é sempre com prazer que assisto a este milagre faustiniano: muda, muda, muda e afinal... fica na mesma. Como a gente gosta.

Bom. Sem querer influenciar o leitor, caso se desloque pela primeira vez a esta velha Taberna, e apenas a título de exemplo, eu pedi e deliciei-me com pão centeio, queijinho de meia cura e umas tirinhas de presunto regional, para ir fazendo boca ao tinto do lavrador. Depois de uma sopinha de cebola, foi-me servido meio bife de vitela barrosã, com os temperos no ponto, a saber a carne de pasto e acompanhado de salada mista.

Terminei com um pratinho de aletria com canela.

Que mais poderia pedir?

Creio que nada.

Se vivesse em Chaves estaria disposto a encabeçar uma manifestação a protestar contra o encerramento aos Domingos.

Como vivo em Lisboa...entendo perfeitamente que o pessoal tire um dia de descanso. Até porque bem o merece.

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